sexta-feira, 11 de julho de 2014

Estudos e Ensaios Sobre Belém, Pará, e a Floresta Amazônica II!

...As praças das cidades brasileiras colonizadas pelos portugueses são definidas por prédios que as circundam. Nos séculos XVII e XVIII, a praça ou largo colonial brasileiro era um lugar de reunião religiosa, civil ou de acontecimentos militares, onde muitas vezes se fazia justiça pública no pelourinho. Somente no seculo XIX, por volta de 1800 surgem os passeios públicos ajardinados, de influência francesa ou italiana, ornamentados com chafarizes, grutas, cascatas, postes, coretos, etc... No caso de Belém, a arborização urbana começa a aparecer no final do século XVIII com a fundação do Horto Botânico. Os largos e praças surgidas neste século faziam junção entre as funções religiosas, civis e militares(igrejas, fortes e palácios) e nelas se realizavam as festividades e enforcamentos públicos. Esta situação se mantém até a segunda metade do século XIX, na gestão municipal do Intendente Antônio José Lemos, quando as praças recebem tendências de paisagismo Inglês, corrente romântica que consistia na valorização da natureza e de paisagem criada, inspirada na antiguidade e no exótico oriental. É plenamente perceptível o interesse pelo paisagismo neste século, quando já existia o Jardim Botânico, registrado, inclusive, na planta da cidade de Belém do Grão-Pará, levantada por Edmundo Compton(1881). E o responsável pelo Horto Municipal de Belém, no final do século passado, era o Alemão Eduardo Hass. Observa-se que as praças de Belém, localizadas em especial no Centro Histórico de Belém e em áreas adjacentes próximas, possuem aléias curvas, maciços de vegetação e plantio de árvores locais ou regionais, tais como açaizeiros, bacurizeiros, etc... Porém, são as mangueiras de orígem indiana que marcam o símbolo da cidade de Belém como " A Cidade das Mangueiras", por sua predominância intensa nas avenidas, formando verdadeiros túneis. No fim do século XIX e início do XX, há a arborização de toda a primeira légua patrimonial de Belém e que hoje sofre mutilações por podagens inadequadas em decorrência da tração e telefonia pública, ou são destruídas pelos usuários, pela presença de ervas de passarinhos. Atualmente, é elucidativa a existência de um processo de empobrecimento tanto no que tange a arborização como a valorização de componentes arquitetônicos das praças. Matéria extraída do livro: Belém e Suas Histórias; "De Veneza Paraense a Belle-Époque". Autor: Paulo de Tarso Andrade. Por: José Roberto Almeida Valente.

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