quinta-feira, 27 de setembro de 2012

O APOCALIPSE DE JOÃO

Um Pouco de Hermenêutica Bíblica.



O médium João Evangelista, sob a orientação do Alto, deixa registrada para a posteridade uma carta, em forma de revelação profética.
Ele se refere a si mesmo quatro vezes como sendo João (Ap 1:1,4,9; 22:8). Analisando seus comentários no Apocalípse, chega-se à conclusão de que o apóstolo era tão bem conhecido por seus leitores e sua autoridade espiritual era tão amplamente reconhecida que não precisou estabelecer suas credenciais apostólicas.

Os acontecimentos__a época
Evidências encontradas no próprio texto indicam que foi escrito durante período de extrema perseguição aos cristãos. Provavelmente, no período compreendido entre o reinado de Nero, quando do grande fogo que quase destruiu Roma, em julho de 64 d.C., e a destruição de Jerusalém, em setembro de 70 d.C. O livro e uma profecia, uma revelação autêntica sobre o futuro próximo e os tempos do fim __a perseguição dos cristãos, que se tornou bem mais intensa e severa nos anos seguintes __ , tanto quanto sobre a esperança de dias melhores para a humanidade.

Ocasião e objetivo
Sob a inspiração dos espíritos e utilizando-se das mensagens do Antigo Testamento, João sem dúvida vinha refletindo sobre os acontecimentos que ocorriam em Roma e em Jerusalém, quando recebeu a revelação do que estava para acontecer, isto é, a intensificação do conflito espiritual que confrontaria as comunidades religiosas __ igrejas (Ap 1-3) __, perpetrada pelo Estado anticristo e por numerosas religiões não cristãs.
O objetivo da mensagem apocalíptica era fornecer estímulo pastoral aos cristãos perseguidos, confortando, desafiando e proclamando a esperança cristã garantida e certa, além de ratificar a certeza de que, em Cristo, eles compartilhavam o método soberano de Deus. por meio da espiritualidade em todassuas manifestações, alcançariam a superação total das forças de oposição à nova ordem que se estabelecia, pois que essa constituía a vontade do Altíssimo

Conteúdo
A mensagem central do Apocalipse é que “Já reina o Senhor nosso Deus, Todo -poderoso” (Ap 19:6). Esse tema foi validado na história devido a vitória do Cordeiro, que é ”o Senhor dos senhores e o Rei dos reis” (Ap 17:14), na linguagem bíblica. Entendido em seu sentido espiritual, significa que todos os acontecimentos históricos estão e são administrados pela soberania de Jesus, o administrador do mundo, o filho de Deus.
Entretanto, aqueles que intentam seguir a mensagem cristã estão envolvidos em um conflito espiritual contínuo, chamado combate pelo apóstolo Paulo (Ef 6:10-12). Sendo assim, o Apocalipse também tem por objetivo possibilitar maior discernimento quanto à natureza e tática dos inimigos íntimos do homem, materializados nas forças de oposição e cinhecidos como dragão, besta e falso proféta. O dragão, representação de todas as forças que se opõem ao progresso do mundo, sente-se reprimido e acuado pelas conseqüentes restrições impostas à sua atividade. Desesperado para frustrar os propósitos espirituais perante o destino inevitável, desenvolve uma ativdade intensa, procurando “fazer guerra” aos santosou aos que obsservam a fidelidade a Jesus (cf. Ap 12:17). A primeira e a segunda Bestas (Ap 13:1-10 e 11-17, respectivamente) podem ser compreendidas como a representação da sociedade, do comércio e da cultura secular chamada cristã, também conhecida como cultura ocidental, definitivamente enganosa e sedutora, representada também como a prostituta Babilônia (Ap 17-18).

Forma Literária
Depois do prólogo, o Apocalipse começa (Ap 1:4-7) e termina (Ap 22:21) da mesma forma que as demais epístolas típicas do Novo Testamento. Embora contenha sete cartas para sete igrejas, está claro que cada membro deve “ouvir” a mensagem dirigidas a cada uma das igrejas, bem comoa mensagem do livro inteiro (cf. Ap 1:3; 22:16-17), a fim de que possa conhecer os propósitos e desígnios espirituais e perceber que “o tempo está próximo” (Ap 1:3; 22:9-10). No interior desta carta de conteúdo escatológico, está a profecia (cf. Ap 1:3; 10:11; 19:10; 22:6-7,10,18-19).
De acordo com Paulo, “o que profetiza, fala aos homens pela edificação [estímulo], exortação e consolação” (1Co 14:3).
O proféta é, pois, o médium do Alto que anuncia a Palavra ou mensagem como um chamamento à conscientização do tempo prresente e da situação futura. Além disso, desperta a responsabílidade quanto a parcela da verdade que está reservada a cada igreja, comunidade, ou, em grego, ekklesia.
Como o próprio texto de João alerta, essa professia ou revelação mediúnica e espiritual não deveria ser selada ou retida em segredo (cf. Ap 22:10), por ser relevante para os seguidores do Mestre de todas as gerações.

Métodos de Comunicação
João recebeu as revelações na forma de figuras vívidas e imagens simbólicas, que se assemelham àquelas encontradas nos livros proféticos do Antigo Testamento. Ele registra suas visões na ordem em que as recebeu, muitas das quais retratam os mesmos acontecimentos através de diferentes perspectivas. Sendo assim, ele não estabelece uma ordem cronológica na qual determinados eventos históricos devem necessariamente acontecer, nem encadeia as profecias do Apocalipse em uma sucessão cronológica. Dois exemplos: Jesus nasce em Ap 12, é exaltado em Ap 5 e caminha em meio às suas igrejas em Ap 1; a besta que ataca as duas testemunhas em Ap 11:7 não havia sido mencionada em Ap 13. Portanto, João registrava uma série de visões sucessivas, e não uma série de aontecimentos consecutivos.
O Apocalipse é um panorama ou quadro cósmico __ ou melhor, diversos quadros vivos, que retratam certa situação espiritual __ elaborado, colorido, acompanhado e interpretado por anjos, ou seja, seres espirituais da mais alta estirpe. A palavra falada é prosa elevada, mais poética do que possam expressar os tradutores; a música do texto é semelhante a uma cantata. Repetidamente são introduzidos temas, mais tarde reintroduzidos, combinados com outros, que, no todo, constituem um esboço da história universal.
Há um segredo para a compreensão das visões e revelações mediúnicas dadas através de João. As mensagens e revelações contêm linguagem figurativa, que sugere as realidades espirituais em torno e por trás da experiência histórica. Os sinais e símbolos são essenciais, porque a verdade espiritual e a realidade invisível devem ser sempre comunicadas aos seres humanos através de seus sentidos. Tais figuras apontam para o que é definitivamente indescritível: exprimem uma tentativa de tornar compreensível o fator espiritual, utilizando elementos conhecidos da época em que são descritos. Por exemplo: o relato sobre so gafanhotos demoníacos do abismo (Ap 9:1-12) cria uma impressão vívida e horripilante, ainda que os mínimos detalhes não tenham sido descritos com a intenção de ser interpretados.

Cristo revelado
O Apocalipse traz uma mensagem na qual se acha plenamente expressa a natureza divinizada e humana do Cristo, tanto quanto seu trabalho incessante no governo do mundo. Mencionado pelo menos uma vez no Apocalipse [declarando-se o autor das revelações, Jesus aparece com esse nome apenas em Ap 22:16], junto com uma série de títulos adicionais, o Mestre é apresentado como o ponto máximo na representação de Deus, auxiliando a vitória do bem e o estabelecimento definitivo do reino do amor na Terra. O livro da revelação profética fornece uma visão multidimensional da posição, do ministério contínuo e da vitória definitiva de Jesus como o administrador dos destinos humanos.
Nas visões do apóstolo, o único que é digno de executar o propósito eterno de Deus é “o Leão da tribo de Judá, a raiz de Davi” (Ap 5:5; cf. 5:9,12) __Jesus, conforme fora anunciado pelos profetas [cf Gn 49:9; Is 11:1-10; Rm 15:12 etc.]. No Apocalipse, contudo, o Mestre aparece não como um Messias político, mas um Cordeiro morto (Ap 5:5-6) e ressuscitado. O Cordeiro é seu título primário, utilizado 28 vezes no Apocalipse, uma vez que é assim denominado por João já em seu Evangelho (Jo 1:29). Como aquele que conquistou, Ele tem a legítima autoridade e o poder de controlar todas as forças do mal e suas conseqüências segundo seus propósitos de julgamento e evolução (cf Ap 6:1-7: 17), pois o Cordeiro está “assentado sobre o trono” (Ap 4:2-5:14; 22:3) __ essa é uma linguagem representativa com relação à interpretação das palavras proféticas de João.
O Cordeiro, descrito, já em Dn 7:13 e novamente em Ap 1:13, como “alguém semelhante a um filho de homem”, está sempre no meio de seu povo (cf. Ap 1:9-3:22; 14:1), indivíduos cujos nomes estão registrados em seu livro da vida (cf Ap 13:8; 20:15; 21:27; Fp 4:3; expressão que remonta a SI 69:28). Ele os conhece intimamente; com um amor dedicado e sobre-humano, cuida deles, protege-os, disciplina-os e desafia-os. Eles compartilham totalmente de sua vitória presente e futura (cf. Ap 17:14; 19:11-16; 21:1-22:5), bem como da “ceia das bodas” ou da celebração da vida e da vitória (cfAp 19:7-9; 21:2). O Cordeiro habita em seu povo __ pois é chamado filho do próprio homem __ que, por sua vez, habita no Cordeiro (cf Ap 21:22). Tal ensinamento é válido para aqueles que, de uma forma ou de outra, são os representantes do Cordeiro no presente momento evolutivo do mundo.
O Cordeiro é o símbolo do Deus que se manifesta em seus filhos (cf. Ap 7; 11:17; 22) para consumar o plano de evolução, para completar a criação da nova comunidade de seres espiritualizados, traduzida como “um novo céu e uma nova Terra” (Ap 21:1) e restaurar as bençãos num mundo renovado pelo amor (ccf. Ap 22:2-5). Jesus, como o divino Cordeiro, representa o ponto culminante da história e também o maior representante da raça humana junto às comunidades redimidas da Via-Láctea.

Os espíritos agem no Apocalipse
A descrição dos espíritos como os “sete espíritos de Deus” é indiscutível no livro profético (cf. Ap 1:4; 3:1; 4:5; 5:6). O número sete, na cultura judaica, é um número simbólico, qualitativo, comunicando a idéia de perfeição e plenitude. Portanto, o plano espiritual é expresso em termos de excelência, no que tange a sua atividade dinâmica em benefício da humanidade. As “sete lâmpadas de fogo” que aparecem em Ap 4:5 sugerem que as tarefas de esclarecimento dos espíritos é assim como o fogo das sete lâmpadas ou candeias, que expressam uma atividade energizante, iluminativa. Os sete espíritos são apresentdos simultâneamente como os sete olhos e os sete chifres do Cordeiro (Ap 5:6), simbolizando respectivamente conhecimento e poder em plenitude; além disso, estão postos “diante do trono” (Ap 1:4; 4:5). Ambos fatos evidenciam serem eles os representantes do Cordeiro, Jesus, indicando que os espíritos administram junto com Ele os destinos dos homens do planeta Terra.
É importante notar ainda como em cada uma das mensagens para as sete igrejas, constantes em Ap 2-3, observa-se como os membros são incitados a ouvir “o que o espírito diz” ao término de cada carta. Ora, o espírito diz somente o que Jesus diz __ ele tão-somente transmite a mensagem do Senhor __, portanto eis aqui a atuação direta do plano espiritual junto às comunidades eclesiais.
Enfim, as visões proféticas são comunicadas a João somente quando ele está “arrebatado em espírito” (cf. Ap 1:10; 4:2), levado ou movido em espírito (cf. Ap 21:10) __ ou, de acordo com a terminologia espírita atual, desdobrado em corpo espiritual __, informação que torna patente o fenômeno mediúnico.

Espiritismo em Ação!
Autor Espiritual: Estevão.
Médium: Robinson Pinheiro.
Matéria Transcrita do Livro: APOCALIPSE,
Uma Interpretação Espírita das Profecias.
Por: José Roberto Almeida Valente 

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