sábado, 13 de outubro de 2012

A SÉTIMA IGREJA : LAODICÉIA.

"Ao anjo da igreja de Laodicéia escreve: Isto diz o Amém, a testemunha fiel e verdadeira, o princípio da criação de Deus:

Conheço as tuas obras, que nem és frio nem quente. quem dera fosses frio ou quente!

Assim, porque és morno, e não és frio nem quente, vomitar-te-ei da minha boca.

Dizes: Rico sou, e estou enriquecido, e de nada tenho falta. Mas não sabes que és um coitado, e miserável, e pobre, e cego, e nu.

Aconselho-te que de mim compres ouro refinado no fogo, para que te enriqueças; e vestes brancas, para que te vistas, e não seja manifesta a vergonha da tua nudez; e colírio, para ungires os teus olhos, a fim de que vejas.

Eu repreendo o castigo a todos quantos amo. Portanto, sê zeloso, e arrepende-te.

                                                                           Ap 3:14-19


Esta é a mensagem destinada aos últimos trabalhadores ou os trabalhadores da última hora [cf. Mt 20:8]. A acusação aqui não é a de que tenha se corrompido com outras doutrinas ou que tenha feito aliança com os poderes do mundo.
A mensagem indica a situação espiritual do último período da igreja, ou da comunidade cristã, e representa muito bem o moderno movimento espiritualista como a última fase da igreja na Terra, antes do estabelecimento de um mundo de regeneração.
A situação é comparada à água morna. Uma situação de apatia e uma aparente letargia espiritual que ameaça dominar as consciências daqueles que julgam possuir muito, em termos espirituais. Com o conhecimento da vida espiritual, da reencarnação, da mediunidade e de outros princípios basilares que foram restaurados com a vinda do Consolador, os modernos seguidores do Cristo julgam estar enriquecidos com seus conhecimentos e não necessitar de maior profundidade.
A mensagem, no entanto, é taxativa: "és um coitado [ou desgraçado], e miserável, e pobre, e cego, e nu" (Ap 3:17). O simples conhecimento de verdades transcendentais não nos faz melhores. Há que interiorizar os valores adquiridos, modificar as disposições íntimas e desenvolver a consciência da fraternidade, a fim de ser verdadeiramente seguidor do Cristo.
Um certo marasmo, uma letargia espiritual, parece caracterizar esse período denominado Laodicéia, o qual representa a fase espiritualista da comunidade cristã atual. O orgulho de serem detentores de verdades elevadas faz com que os modernos seguidores do bem sejam comparados com a água morna, sem sabor e indigesta.
É necessário acordar da cegueira produzida pela pretensão de dirigentes espíritas e espiritualistas e conscientizar-se da necessidade de dinamizar o movimento, de desenvolver valores morais verdadeiros, de descobrir o potencial adormecido em cada um.
Conforme podemos notar, a rereensão contida na mensagem profética é baseada no amor e se manifesta como correção ou reeducação das almas (cf. Ap 3:19). Eis o sentido das advertências do Plano Superior em relação aos seguidores de Jesus, de todas as épocas.

Laodicéia: Era vizinha de águas termais, fato que lhe conferia características especiais. A cidade tinha projeção por diversas razões. Primeiramente, havia lá uma reconhecida escola de medicina, que, entre outras coisas, produzia um excelente remédio para visão; em segundo lugar, possuía importante tecelagem de roupa de lã negra e macia, oriunda das ovelhas do vale; além disso, era riquíssima, pois situava-se no entroncamento de três importantes estradas. Possuía população rica e abastada.

Autor Espiritual: Estevão.
Médium: Robson Pinheiro.
Matéria Extraída do Livro: Apocalipse - Uma Interpretação Espírita das Profecias.

Por: José Roberto Almeida Valente.

A SEXTA IGEJA: FILADÉLFIA.

"Ao anjo da igreja de Filadélfia escreve: Isto diz o que é santo, o que é verdadeiro, o que tem a chave de Davi. O que abre e ninguém fecha, e fecha, e ninguém abre:

Conheço as tuas obras. Diante de ti pus uma porta aberta, que ninguém pode fechar. Sei que tens pouca força, entretanto guardaste a minha palavra e não negaste o meu nome.

Farei aos da sinagoga de Satanás, aos que se dizem judeus, e não o são __ mas mentem __, farei que venham, e adore prostrados aos teus pés, e saibam que eu te amo.

Visto que guardaste a palavra da minha perseverança, também eu te guardarei da hora da tribulação que há de vir sobre todo o mundo, para provar os que habitam sobre a Terra."

                                                                                                                                Ap 3:7-10

O período que se seguiu ao dos reformadores foi realmente uma época em que, embora com as lutas e perseguições, uma nova suavidade começou  a ser vista nos corações humanos. A igreja secular dos papas teve aos poucos que se curvar à nova religião, a dos reformadores, que se mantinha, apesar das perseguições, aguardando o momento propício para o advento do Consolador.
A noite de são Bartolomeu, a Revolução Francesa e tantos outros capítulos sangrentos da história humana não conseguiram pôr fim à fé do povo, que se rebelava contra o domínio de consciências que o papado exercia.
Roma estava definitivamente abalada, e não adiantava mais pôr em prática o domínio de reis e governantes, pois a nova visão dos reformadores conseguia, aos poucos, romper com as pretensões de Roma. O caminho estava sendo preparado para a chegada da doutrina consoladora.
A Igreja romana se curvava ante a fé dos novos seguidores da Reforma, e, mesmo na hora grave alardeada pela profecia, da "tribulação que há de vir sobre todo o mundo" __ como na noite de São Bartolomeu, na Inquisição, nas mortes e assassinatos levados a termo na Revolução Francesa __, os seguidores de Jesus seriam amparados. Do mesmo modo como ocorreu outrora, na época do cristianismo primitivo, o sangue derramado dos mártires seria semelhante a sementes espalhadas ao vento. Onde quer que caíssem, brotavam, portadoras da mensagem abençoada do Evangelho,que finalmente saía das sombras para a luz e fazia despertar a Terra da longa era de trevas, sono e letargia espirituais.  

FILADÉLFIA: situava-se em um importante vale, sobre o qual passava importante estrada. Seu nome é proveniente do epíteto concedido a Attalus (159-138 a. C.), que, por sua lealdade ao seu irmão Eumenes, recebeu o qualificativo de "amoroso, fraternal".  Filadélfia significa amor fraternal. Fundada para ser o centro de expansão da língua e dos costumes gregos em Lídia e Frígia, era uma cidade onde os cristãos tinham uma característica missionária.

Autor Espiritual: Estevão.
Médium: Robson Pinheiro.
Matéria Extraída do Livro: Apocalipse - Uma Interpretação Espírita das Escrituras.

Por: José  Roberto Almeida Valente.

sexta-feira, 12 de outubro de 2012

A QUINTA IGREJA: SARDES.

" Ao anjo da igreja de Sardes escreve: Isto diz o que têm os sete espíritos de Deus, e as sete estrelas. Conheço as tuas obras; tens nome de que vives, mas estás morto.

Sê vigilante, e confirma o restante, que estava para morrer, pois não tenho achado as tuas obras perfeitas diante do meu Deus.

Lembra-te, pois, do que recebeste e ouviste, e guarda-o, e arrepende-te. Mas se não vigiares, virei sobre ti como um ladrão, e não saberás a que hora sobre ti virei.

Mas também tens em Sardes algumas pessoas que não contaminaram as suas vestes, e comigo andarão vestidas de branco, pois são dignas."

                                                                                                                  Ap 3:1-4

Apesar da situação caótica reinante no período de trevas espirituais, ainda existiam pessoas que ainda não se haviam contaminado com as práticas doutrinárias da Igreja, que há muito havia deixado oscaminhos do bem.
Espíritos mais ou menos esclarecidos haviam reencarnado como faróis, que iluminavam as trevas da Idade Média, chamando a Igreja de volta ao Cristo.
Jan Huss, Lutero, Calvino, Wycliffe e muitos outros __ que viveram nesse período difícil, em que o poder temporal da Igreja havia corrompido a fé de muitos que se diziam seguidores de Jesus __ clamavam, por meio de suas palavras e exemplos, um protesto que abalava certas estruturas do papa de Roma. Foi o período dos reformadores, quando a luz de uma nova era começou a iluminar a paisagem triste dos desmandos humanos.
A voz dos reformadores reacendeu as chamas da perseguição, e a Igreja, detentora do poder, abençoou o assassinato em massa, em nome de um Deus incompreensível, tal qual o fizera o Império Romano com os primeiros cristãos. Criaram-se instituições e companhias que matavam em nome do papa e da madre Igreja, tão somente por não suportarem a estonteante luz da verdade que começava a despontar em meio às trevas da ignorância.
A Reforma protestante foi uma preparação dos caminhos para o Consolador,  criando condições para que o mundo acolhesse a vinda do Cristo através de seus emissários, os espíritos superiores, representantes de sua magnânima vontade entre os homens. Assim como a vinda do Cristo foi precedida por João Batista, que preparou os corações para a mensagem libertadora do Evangelho, a vinda do Consolador, a doutrina espírita, foi precedida pela ação da Reforma protestante, que abriu as mentes e predispôs os corações para a mensagem renovadora da terceira revelação.

Sardes estava sobre uma colina quase inacessível e era a capital da Lídia. só existia um meio de se chegar à cidade, através de uma estreita faixa de terra que se estendia para o sul. Os sardenses eram orgulhosos e jactanciosos por causa de sua autoproteção natural. Não obstante tais barreiras, foi invadida tanto em 549 como em 218 a.C. e, em 17 d.C., foi quase totalmente destruída por um terremoto. Na ocasiãoem que a carta a Sardes foi escrita, a cidade estava quase morta, porém aparentava estar viva.

Autor Espiritual: Estevão.
Médium: Robson Pinheiro.
Matéria Extraída do Livro: Apocalipse - Uma Interpretação Espírita das Profecias.

Por: Jose Roberto Almeida Valente. 

A QUARTA IGREJA: TIATIRA

"Ao anjo da igreja de Tiatira escreve: Isto diz o Filho de Deus, que tem os olhos como chamas de fogo, e os pés semelhantes a latão reluzente:

Conheço as tuas obras, e o teu amor, e o teu serviço, e a tua fé, e a tua perseverança, e sei que as tuas últimas obras são mais numerosas do que as primeiras.

Mas tenho contra ti que toleras a Jezabel, mulher que se diz profetisa. Com seu ensino ela engana os meus servos, seduzindo-os a se prostituírem e a comerem das coisas sacrificadas aos ídolos.

Dei-lhe tempo para que se arrependesse da sua imoralidade, mas ela não quer se arrepender.

Portanto, lançá-la-ei num leito de dores, bem como em grande tribulação os que com ela adulteram, caso não se arrependam das obras que ela incita.

Ferirei de morte a seus filhos. Então todas as igrejas saberão que eu sou aquele que esquadrinha os rins e os corações, e darei a cada um de vós segundo as vossas obras.

Digo-vos, porém, a vós, os demais que estão em Tiatira, a todos quanto não têm esta doutrina, e não conheceram, como dizem, as profundezas de Satanás, que outra carga não porei sobre vós:

O que tendes, retende-o até que eu venha.
                                                                                                   Ap 2:18-25


As imagens apresentadas são significativas, quando se considera a estrutura da Igreja, agora institucionalizada, ao longo de sua caminhada secular.
No Apocalipse, a mulher é sempre apresentada como a noiva de Cristo, simbolizando a comunidade religiosa, a igreja. Dessa forma, podemos ver na figura da prostituta, quando se trata de alguma profecia, a igreja que se uniu ao mundo, ao poder político, adotando posturas e doutrinas diferentes da cristã. Conhece, nesse intercâmbio com os poderes do mundo, as "profundezas de Satanás" (Ap 2:24), isto é, desce ao máximo em sua aliança mundana, afastando-se imensamente da doutrina do Cristo. Assim, a igreja se torna uma falsa profetisa (cf. Ap 2:20), trazendo o erro e o desequilíbrio, em lugar do ensinamento humilde e renovador do Evangelho.
Esse quadro representa de forma clara a situação da Igreja, após sua união com o Estado, que se faz seguir, então, pela ignorância espiritual que veio inaugurar as trevas da Idade Média. Nessa ocasião, os reis e soberanos de toda a Terra, que deram à Igreja o poder temporal na forma do papado, passaram a sofrer os desmandos e as tiranias que pretensos representantes do cristianismo impuseram ao mundo, como um fardo pesado e cruel, em séculos e séculos de trevas morais.
Nesse período, no entanto, é que aparecem aqueles que verdadeiramente representaram a réstia de luz que o céu enviou à Terra, para dar novas dimensões ao ensino cristão e tentar fazer que a Igreja retornasse ao caminho do Alto.
Vemos, aí, a vida missionária de Francisco de Assis e de muitos outros, que superaram em intensidade e qualidade aquilo que faltou à Igreja, como se fossem as suas vidas um apelo constante que o Pai enviava a seus filhos relapsos.
A igreja, prostituída em seus fundamentos doutrinários, é, na alegoria bíblica, a representação da mulher infiel, que abandona a presença de seu esposo __ Jesus__ e se lança aos braços de outro, estabelecendo aliança com doutrinas e poderes mundanos.
Mas a mensagem continua, referindo-se à vida missionária daqueles que exemplificaram a fidelidade aos princípios superiores. O exemplo desses missionários, que desciam à Terra periódicamente, deveria ser seguido: "O que tendes, retende-o até que eu venha"  (Ap 2:25). O texto refere-se ao futuro, quando o Cristo retornaria para restabelecer seu ensinamento, com o Consolador prometido, momento em que se faria luz mais completa  sobre os conceitos comprometidos devido à atuação irresponsável da Igreja e de seus representantes.
A comunidade cristã não ficaria abandonada indefinidamente, mas seria visitada com a luz da genuína doutrina do Mestre, que seria restabelecida no mundo pelos divinos mensageiros do bem. Eles retornariam à Terra e, tais quais vozes dos céus, fariam reviver a verdadeira fé, a doutrina do Cristo, como mais tarde veremos em outra imagem profética do Apocalipse.

Tiatira: Localizada em um vale, a cidade de Tiatira não possuía fortificações naturais; logo, estava exposta a ataques e invasões. Sendo assim, havia uma fortaleza para defender a cidade e obstruir o caminho para Pérgamo, que era a capital. Era uma cidade comercial, onde se vendia de tudo, e todo o comércio estava associado a uma divindade pagã. Para o cristão, tal fato impunha um dilema: ou ele participava da sociedade, e com isso trazia escândalo para o nome de Cristo, ou ele afastava-se da sociedade, e com isso, tinha a perda de seus privilégios.

Autor Espiritual: Estevão.
Médium: Robson Pinheiro.
Matéria Extraída do Livro: Apocalipse - Uma Interpretaçaõ Espírita das Profecias.

Por: José Roberto Almeida Valente.
    

quinta-feira, 11 de outubro de 2012

A TERCEIRA IGREJA: PÉRGAMO

"Ao anjo da igreja de Pérgamo escreve: Isto diz aquele que tem a espada afiada de dois gumes:
Sei onde habitas, que é onde está o trono de Satanás. Contudo, reténs o meu nome, e não negaste a minha fé, mesmo nos dias de Antipas, minha fiel testemunha, o qual foi morto entre vós, onde Satanás habita.
Todavia, tenho algumas coisas contra ti: Tens aí os que seguem a doutrina de Balaão, o qual ensinava Balaque a lançar tropeços diante dos filhos de Israel, levando-os a comer das coisas sacrificadas aos ídolos, e praticar a prostituição.
Assim tens também alguns que seguem a doutrina dos nicolaítas.
Arrepende-te, pois! Se não em breve virei a ti, e contra eles batalharei com a espada da minha boca." 
                                                                                                      Ap 2:12-16

Novamente vemos o segmento histórico-profético nas palavras dirigidas à comunidade de Pérgamo. Essa igreja representa o período que se seguiu à perseguição cristã organizada, empreendida por Diocleciano, quando certas doutrinas começaram a ser admitidas no seio da igreja. Após a morte dos apóstolos e daqueles que lutavam por manter firme a "sã doutrina" [expressão de Paulo usada em 1Tm 1:10; Tt 1:9 etc,] em sua simplicidade, veio o período em que a igreja se casou com o mundo, e doutrinas humanas começaram a tomar corpo nas comunidades religiosas. Cogitou-se pela primeira vez em estabelecer o primado do bispo de Roma, dando início a idéia de um papa, o que feria os mais símples princípios do Evangelho.

O "trono de Satanás" (Ap 2:13) é bem representado por essa época em que a igreja se prostituiu com doutrinas pagãs, quando admitiu práticas exteriores e um culto de aparências, a fim de alcançar o poder temporal. Nesse período foi abertamente admitida a idolatria a ídolos pagãos, sob o nome de santos cristãos, a fim de estabelecer aliança entre os pretensos seguidores de Jesus e o mundo.  
O imperador Constantino foi, nessa época, aquele que mais contribuiu para o fortalecimento dessa aliança tenebrosa, que, mais tarde, geraria as forças tirânicas do papado, atrasando a marcha evolutiva das comunidades terrestre em séculos de ignorância e de sofrimento.
Quando, em qualquer época, os seguidores da doutrina consoladora abrem mão dos seus princípios e da pureza de seus ensinamentos para admitirem preceitos e práticas estranhas      
àquelas do Cristo e dos espíritos superiores, seus mensageiros maculam a essência da obra e da mensagem, podendo levar séculos para retomar o caminho do bem e do equilíbrio.
O trono de Satanás é também representado pela cidade de Roma, onde mais tarde seria estabelecida a sede do papado, em substituição ao poder temporal dos imperadores romanos. Apenas mudariam as aparências, e seria então elevado ao poder o domínio político-religioso do "homem do pecado", como afirma claramente o apóstolo Paulo em sua epístola aos tessalonicenses:

                                    Ninguém de maneira alguma vos engane, pois

                         isto não acontecerá sem que antes venha a apostasia,
                         e se manifeste o homem do pecado, o filho da perdi-
                         ção.
                                    Ele se opõe e selevanta contra tudo o que  se
                         chama Deus ou é objeto de culto, de sorte que se as-
                         sentará, como Deus, no templo de Deus, querendo pa-
                         recer Deus."

                                                                                        2Ts 2:3-4


Autor Espiritual: ESTEVÃO
Médium: ROBSON PINHEIRO
Matéria Extraída do Livro: APOCALIPSE -
Uma Interpretação Espírita das Profecias.

Por: José Roberto Almeida Valente

quarta-feira, 3 de outubro de 2012

A SEGUNDA IGREJA - ESMIRNA.


CONT. DO APOCALIPSE DE JOÃO

” Ao anjo da igreja de Esmirna escreve: Isto diz o primeiro e o último, o que foi morto e reviveu:
Conheço a tua tribulação e a tua pobreza (mas tu és rico), e a blasfêmia dos que se dizem judeus, e não o são, mas são da sinagoga de Satanás.
Não temas as coisas que estás para sofrer. Escutai: o diabo lançará alguns de vós na prisão, para que sejais provados, e tereis uma tribulação de dez dias. Sê fiel até a morte, e dar-te-ei a coroa da vida.”
Ap 2:8-10

Na carta a igreja de Esmirna, a autoridade de Jesus é apresentada como sendo o “primeiro e o último”, o que estava “morto e reviveu” (Ap 2:8). Nessa simbologia é demonstrada a ascendência moral do Cristo, o Governante Planetário, sobre todos os acontecimentos históricos, o que dá maior força à palavra profética e mais segurança àqueles a quem são dirigidas tais palavras.
Após o primeiro momento histórico da igreja, ainda sob a orientação apostólica, sucede-se outro período em que as aparências substituem a essência. A referência aos “que se dizem judeus e não o são” (Ap 2:9) representa a fase em que muitos aderiam ao movimento cristão, sem contudo serem genuinamente cristãos em sua intimidade. Foi justamente aí que a igreja primitiva começou a ser invadida pela presença daqueles que eram da “sinagoga de Satanás” ou, conforme a história nos mostra, os falsos cristãos, os falsos conversos que se misturavam às comunidades cristãs para entregarem os verdadeiros seguidores de Jesus às mãos do poder de Roma.
O período é aqui muito bem identificado, quando o Apocalipse fala da perseguição de “dez dias” (Ap 8:10). O dia é um período profético muito utilizado nos livros considerados sagrados, como representativo de um ano [cf. Ez 4:6]. Foi justamente esse __ isto é, dez anos __ o período de perseguição religiosa declarada, quando os conversos da nova doutrina eram perseguidos e esmagados sob o domínio cruél e tirano de um governo que se sentia ameaçado pelos princípios que os cristãos defendiam.
Fraternidade, amor e caridade eram a essência da mensagem libertadora que arrebanhava milhões do poder mundano e os integrava às falanges do bem. Isso não poderia passar despercebido por aqueles que se julgavam os donos do mundo __ iniciou-se uma época de intensas perseguições. Sob o reinado de Diocleciano, durante um período de dez anos registrado nos anais da história, os seguidores de Jesus sofreram toda sorte de atentados e crimes brutais, muitas vezes entregues ou delatados por outros que também se diziam cristãos, mas que eram comprados e subornados com a finalidade de se tornarem traidores.
A promessa do Cristo de coroar-lhes com a vida é apresentada com base na fidelidade aos princípios superiores, pois se fazia necessário que, nesse período de duras provas, os cristãos pudéssem estar amparados nas bases sólidas do conhecimento da vida imortal.
Nessa carta não encontramos repreensão, mas promessa de assistência espiritual superior. Ante as dores e lutas, a essência de qualquer mensagem do Alto é o consolo; ante o martírio, a promessa de vida soava aos ouvidos dos cristãos como a recordação de que eram imortais. A certeza da imortalidade da alma era a segurança e o abrigo para as duras provas que atravessavam.
Dez anos de martírio sob o domínio de Diocleciano fizeram com que o sangue dos cristãos se transformasse em sementeira de luzes para a glorificação da mensagem de amor de Jesus. Onde caía um cristão, seu sangue fazia a conversão de dez outros que prosseguiam com a mensagem renovadora, abalando para sempre o trono de César e as bases da intolerância da “sinagoga de Satanás” (Ap 2:9).


Matéria Extraída do Livro:
APOCALIPSE – Uma Interpretação Espírita das Profecias.
Autor Espiritual: ESTEVÃO.
Médium: ROBSON PINHEIRO.


Por: José Roberto Ameida Valente.

terça-feira, 2 de outubro de 2012

AS SETE IGREJAS E OS SETE CASTIÇAIS [Ap 2-3]


 Eu, João, irmão vosso e companheiro convosco na aflição, no reino e na perseverança em Jesus, estava na ilha chamada Patmos por causa da palavra de Deus e do testemunho de Jesus.
Eu fui arrebatado em espírito no dia do Senhor, e ouvi detrás de mim uma grande voz, como de trombeta, que dizia:
O que vês, escreve-o num livro, e envia-o às sete igrejas que estão na Ásia: a Éfeso, a Esmirna, a Pérgamo, a Tiatira, a Sardes, a Filadélfia e a Laodicéia.”
Ap 1:9-11

A religião israelita era cheia de símbolos, de alegorias, que falavam aos espíritos símples daquele povo a respeito das coisas espirituais. Por isso mesmo, o apóstolo conserva em seus escritos a simbologia utilizada há séculos, a fim de se tornar compreendido entre os seus.
Quando Moisés retirou seu povo do Egito, sob a inspiração superior, construíu um santuário, que seria o centro do culto de toda a nação [cf. Êx 26:1; 39:32 etc.]. Esse santuário possuía, em seu interior, instrumentos de culto utilizados pelos Levitas no serviço de adoração. Mais tarde, quando Salomão construiu o santuário definitivo, em Jerusalem, foram para lá transferidos os castiçais sagrados e demais utensílios que se encontravam na tenda que Moisés havia construído [cf. 1Rs 7:49; 8:4; 2Cr 1:3 etc.].

Utilizando-se dessas imagens comuns ao seu povo, o vidente de Patmos descreve, em rica simbologia, a visão espiritual:
” E voltei-me para ver quem falava comigo, E, ao voltar-me, vi sete candeeiros [ou castiçais] de ouro,
e no meio dos sete candeeiros alguém semelhante a um filho de homem, vestido com vestes talares, e cingido à altura do peito com um cinto de ouro.
Tinha ele na mão direita sete estrelas (…)
O mistério das sete estrelas que viste na minha mão direita, e os sete candeeiros de ouro é este: As sete estrelas são os anjos das sete igrejas, e os sete candeeiros são as sete igrejas.”
Ap 1:12-13,16,20

A visão dos sete castiçais representa as sete igrejas, em que o Cristo foi visto como que passeando no meio delas. A simbologia do número sete é constante no livro, por significar a plenitude. O número é igualmente constante na cabala judaica e, porisso, reveste-se de significado para o povo judeu. Simboliza o que é pleno, completo. No caso presente, as sete igrejas significam todos os períodos da história cristã ao longo dos séculos, a universalidade do ensinamento transmitido.
Na mesma visão, Jesus é apresentado como tendo sete estrelas na mão, as quais representam os mensageiros ou responsáveis espirituais pelas igrejas em todos os tempos. Todos estão sob a orientação de Jesus, que nunca abandona seu povo, apesar das dificuldades que eles enfrentariam nos séculos de lutas que os aguardavam. Sendo assim, Jesus envia aos anjos, ou responsáveis espirituais das comunidades cristãs. o apelo, a alertiva ou a mensagem severa daquele que orienta os destinos dos povos e nações, sob o influxo da augusta sabedoria de que é portador. Esses anjos são os responsáveis por cada agrupamento religioso; mentores sobre cujas cabeças repousam as responsabílidades sobre aquelas almas.
Cada etapa da história é aqui representada com sua característica, como a chamar os fiéis para a necessidade de renovação e retorno aos princípios através dos quais foram edificados na fé: o fundamento dos apóstolos e dos profetas.
A visão panorâmica apresentada por João no Apocalípse não se restringe, porém, aos fatores históricos; independentemente da época em que a comunidade cristã se situe, poderá se enquadrar numa ou noutra representação figurativa, conforme a vivência do momento. Essa é uma característica importante da revelação de Jesus Cristo no Apocalípse.
Dessa maneira, podemos interpretar a visão simbólica das sete igrejas como uma divisão de sete período pelos quais as comunidades dos seguidores da boa-nova passariam ou passam através dos séculos. Se considerarmos que as comunidades cristãs primitivas foram estabelecidas pelas palavras do próprio Jesus e pelos ensinos dos apóstolos, torna-se evidente iniciar por aí os estudos relativos a tais períodos ou ciclos vivenciados pelos cristãos.
A partir da comunidade primitiva de Jerusalém, quando os apóstolos aínda coordenavam os ensinos, ou os ministravam seguindo as intuições que do Alto recebiam, podem-se visualizar as diversas fases da jornada secular do povo de Deus, através dos últimos 2 mil anos de história.

A primeira igreja: Éfeso

” Ao anjo da igreja de Éfeso escreve: Isto diz aquele que tem na mão as sete estrelas, que anda no meio dos sete candeeiros [ou castiçais] de ouro:
Conheço as tuas obras, e o teu trabalho, e a tua perseverança, e que não podes suportar os maus, e que puseste à prova os que se dizem apóstolos e não o são, e os achaste mentirosos.
Tens perseverança, e por causa do meu nome sofreste, e não desfaleceste.
Tenho, porém, contra ti que deixaste o teu primeiro amor.
Lembra-te de onde caíste! Arrepende-te, e pratica as primeiras obras. Se não te arrependeres, brevemente virei a ti, e removerei do seu lugar o teu candeeiro, se não te arrependeres.”
Ap 2:1-6

Cada nome de determinada congregação ou igreja está intimamente ligado à sua característisca espiritual, contribuindo com o entendimento da mensagem. Sem tentarmos estabelecer datas definitivas, que podem variar segundo cada interpretação, procuraremos vislumbrar os aspectos das experiências vividas pela igreja e fazer a comparação, então, com os fatos registrados na história. Assim, ficamos ao abrigo de posicionamentos pessoais, da chaga do personalismo, sem determos a pretensão de haver dado a última palavra a respeito do assunto.
Éfeso representa o primeiro momento espiritual da jornada cristã, quando aínda se sentia o perfume dos ensinamentos primitivos dos apóstolos. Na mensagem acima, podemos ver enumeradas as virtudes desse período da Igreja: boas obras, trabalho e paciência, que tão bem simbolizam as atividades dos primeiros cristãos, ao expandirem a mensagem da boa-nova. Podemos igualmente deduzir, pela mensagem de Éfeso, o sofrimento decorrente da manutenção dos valores espirituais acima das questões de ordem material ou política da época.
Mas, mesmo detentores de tal responsabílidade, os cristãos foram aos poucos se cansando das lutas enfrentadas com os representantes do poder de César e, descuidando-se do devido preparo íntimo, começaram a ceder muitas vezes, ante as ameaças que recebiam.
A repreensão vem por parte do próprio Jesus: “Lembra-te de onde caíste!” (Ap 2:5). E a acusação que faz é de haver a comunidade de Éfeso abandondo o “primeiro amor”, a caridade, devendo retornar às práticas da essência do ensinamento cristão.
Quando se pretende seguir o Cristo sem vivenciar seu ensinamento de amor e carridade, cirre-se o risco de ficar detido nas palavras, sem a essência de sua mensagem.
Aos poucos, os seguidores de Jesus foram condescendendo com o mundo, deixando a prática das boas obras, dos ensinos morais do Cristo, pelas ofertas de César, e colocando em risco o destino da mensagem iluminativa.
Tal situação reflete bem a imagem daqueles que começam a palmilhar a estrada do conhecimento divino. Cheios de entusiasmo e de idéias, enfrentam de início as dificuldades naturais decorrentes de seu posicionamento íntimo ante as provas da vida; posteriormente, contudo, começam a contemporizar com os aspectos menos dignos do mundo. Pretendem fazer um aliança entre o mundo de Cristo e o de César, como se pudéssem estar “com um pé no mundo e o outro no céu”. O engano torna-se ainda mais intenso quando os atrativos exteriores se fazem maiores que a prática do bem, e o homem se entrega às fantasias que antes havia abandonado.
A imagem não poderia ser melhor apresentada do que foi pelo apóstolo João. Quantas vezes não iniciamos a caminhada de espiritualização cheios de paciência, de esperança e operosos nas atividades superiores e, aos poucos, deixamo-nos desanimar por comezinhos problemas da vida, por melindres ou oposições personalistas?
Vem-nos o Apelo do Alto para retornarmos ao primeiro amor, à prática incondicional do bem, à dedicação plena à verdade. Eis o perfume de Éfeso em nossas experiências diárias. A lição que nos é apresentada é por demais significativa, e o retorno do homem ao primeiro amor ou ao amor do Cristo é de imperiosa necessidade.


Matéria extraída do Livro:
APOCALIPSE – Uma Interpretação Espírita das Profecias.
Autor Espiritual: ESTEVÃO.
Médium: ROBSON PINHEIRO.


Por : José Roberto Almeida Valente