terça-feira, 2 de outubro de 2012

AS SETE IGREJAS E OS SETE CASTIÇAIS [Ap 2-3]


 Eu, João, irmão vosso e companheiro convosco na aflição, no reino e na perseverança em Jesus, estava na ilha chamada Patmos por causa da palavra de Deus e do testemunho de Jesus.
Eu fui arrebatado em espírito no dia do Senhor, e ouvi detrás de mim uma grande voz, como de trombeta, que dizia:
O que vês, escreve-o num livro, e envia-o às sete igrejas que estão na Ásia: a Éfeso, a Esmirna, a Pérgamo, a Tiatira, a Sardes, a Filadélfia e a Laodicéia.”
Ap 1:9-11

A religião israelita era cheia de símbolos, de alegorias, que falavam aos espíritos símples daquele povo a respeito das coisas espirituais. Por isso mesmo, o apóstolo conserva em seus escritos a simbologia utilizada há séculos, a fim de se tornar compreendido entre os seus.
Quando Moisés retirou seu povo do Egito, sob a inspiração superior, construíu um santuário, que seria o centro do culto de toda a nação [cf. Êx 26:1; 39:32 etc.]. Esse santuário possuía, em seu interior, instrumentos de culto utilizados pelos Levitas no serviço de adoração. Mais tarde, quando Salomão construiu o santuário definitivo, em Jerusalem, foram para lá transferidos os castiçais sagrados e demais utensílios que se encontravam na tenda que Moisés havia construído [cf. 1Rs 7:49; 8:4; 2Cr 1:3 etc.].

Utilizando-se dessas imagens comuns ao seu povo, o vidente de Patmos descreve, em rica simbologia, a visão espiritual:
” E voltei-me para ver quem falava comigo, E, ao voltar-me, vi sete candeeiros [ou castiçais] de ouro,
e no meio dos sete candeeiros alguém semelhante a um filho de homem, vestido com vestes talares, e cingido à altura do peito com um cinto de ouro.
Tinha ele na mão direita sete estrelas (…)
O mistério das sete estrelas que viste na minha mão direita, e os sete candeeiros de ouro é este: As sete estrelas são os anjos das sete igrejas, e os sete candeeiros são as sete igrejas.”
Ap 1:12-13,16,20

A visão dos sete castiçais representa as sete igrejas, em que o Cristo foi visto como que passeando no meio delas. A simbologia do número sete é constante no livro, por significar a plenitude. O número é igualmente constante na cabala judaica e, porisso, reveste-se de significado para o povo judeu. Simboliza o que é pleno, completo. No caso presente, as sete igrejas significam todos os períodos da história cristã ao longo dos séculos, a universalidade do ensinamento transmitido.
Na mesma visão, Jesus é apresentado como tendo sete estrelas na mão, as quais representam os mensageiros ou responsáveis espirituais pelas igrejas em todos os tempos. Todos estão sob a orientação de Jesus, que nunca abandona seu povo, apesar das dificuldades que eles enfrentariam nos séculos de lutas que os aguardavam. Sendo assim, Jesus envia aos anjos, ou responsáveis espirituais das comunidades cristãs. o apelo, a alertiva ou a mensagem severa daquele que orienta os destinos dos povos e nações, sob o influxo da augusta sabedoria de que é portador. Esses anjos são os responsáveis por cada agrupamento religioso; mentores sobre cujas cabeças repousam as responsabílidades sobre aquelas almas.
Cada etapa da história é aqui representada com sua característica, como a chamar os fiéis para a necessidade de renovação e retorno aos princípios através dos quais foram edificados na fé: o fundamento dos apóstolos e dos profetas.
A visão panorâmica apresentada por João no Apocalípse não se restringe, porém, aos fatores históricos; independentemente da época em que a comunidade cristã se situe, poderá se enquadrar numa ou noutra representação figurativa, conforme a vivência do momento. Essa é uma característica importante da revelação de Jesus Cristo no Apocalípse.
Dessa maneira, podemos interpretar a visão simbólica das sete igrejas como uma divisão de sete período pelos quais as comunidades dos seguidores da boa-nova passariam ou passam através dos séculos. Se considerarmos que as comunidades cristãs primitivas foram estabelecidas pelas palavras do próprio Jesus e pelos ensinos dos apóstolos, torna-se evidente iniciar por aí os estudos relativos a tais períodos ou ciclos vivenciados pelos cristãos.
A partir da comunidade primitiva de Jerusalém, quando os apóstolos aínda coordenavam os ensinos, ou os ministravam seguindo as intuições que do Alto recebiam, podem-se visualizar as diversas fases da jornada secular do povo de Deus, através dos últimos 2 mil anos de história.

A primeira igreja: Éfeso

” Ao anjo da igreja de Éfeso escreve: Isto diz aquele que tem na mão as sete estrelas, que anda no meio dos sete candeeiros [ou castiçais] de ouro:
Conheço as tuas obras, e o teu trabalho, e a tua perseverança, e que não podes suportar os maus, e que puseste à prova os que se dizem apóstolos e não o são, e os achaste mentirosos.
Tens perseverança, e por causa do meu nome sofreste, e não desfaleceste.
Tenho, porém, contra ti que deixaste o teu primeiro amor.
Lembra-te de onde caíste! Arrepende-te, e pratica as primeiras obras. Se não te arrependeres, brevemente virei a ti, e removerei do seu lugar o teu candeeiro, se não te arrependeres.”
Ap 2:1-6

Cada nome de determinada congregação ou igreja está intimamente ligado à sua característisca espiritual, contribuindo com o entendimento da mensagem. Sem tentarmos estabelecer datas definitivas, que podem variar segundo cada interpretação, procuraremos vislumbrar os aspectos das experiências vividas pela igreja e fazer a comparação, então, com os fatos registrados na história. Assim, ficamos ao abrigo de posicionamentos pessoais, da chaga do personalismo, sem determos a pretensão de haver dado a última palavra a respeito do assunto.
Éfeso representa o primeiro momento espiritual da jornada cristã, quando aínda se sentia o perfume dos ensinamentos primitivos dos apóstolos. Na mensagem acima, podemos ver enumeradas as virtudes desse período da Igreja: boas obras, trabalho e paciência, que tão bem simbolizam as atividades dos primeiros cristãos, ao expandirem a mensagem da boa-nova. Podemos igualmente deduzir, pela mensagem de Éfeso, o sofrimento decorrente da manutenção dos valores espirituais acima das questões de ordem material ou política da época.
Mas, mesmo detentores de tal responsabílidade, os cristãos foram aos poucos se cansando das lutas enfrentadas com os representantes do poder de César e, descuidando-se do devido preparo íntimo, começaram a ceder muitas vezes, ante as ameaças que recebiam.
A repreensão vem por parte do próprio Jesus: “Lembra-te de onde caíste!” (Ap 2:5). E a acusação que faz é de haver a comunidade de Éfeso abandondo o “primeiro amor”, a caridade, devendo retornar às práticas da essência do ensinamento cristão.
Quando se pretende seguir o Cristo sem vivenciar seu ensinamento de amor e carridade, cirre-se o risco de ficar detido nas palavras, sem a essência de sua mensagem.
Aos poucos, os seguidores de Jesus foram condescendendo com o mundo, deixando a prática das boas obras, dos ensinos morais do Cristo, pelas ofertas de César, e colocando em risco o destino da mensagem iluminativa.
Tal situação reflete bem a imagem daqueles que começam a palmilhar a estrada do conhecimento divino. Cheios de entusiasmo e de idéias, enfrentam de início as dificuldades naturais decorrentes de seu posicionamento íntimo ante as provas da vida; posteriormente, contudo, começam a contemporizar com os aspectos menos dignos do mundo. Pretendem fazer um aliança entre o mundo de Cristo e o de César, como se pudéssem estar “com um pé no mundo e o outro no céu”. O engano torna-se ainda mais intenso quando os atrativos exteriores se fazem maiores que a prática do bem, e o homem se entrega às fantasias que antes havia abandonado.
A imagem não poderia ser melhor apresentada do que foi pelo apóstolo João. Quantas vezes não iniciamos a caminhada de espiritualização cheios de paciência, de esperança e operosos nas atividades superiores e, aos poucos, deixamo-nos desanimar por comezinhos problemas da vida, por melindres ou oposições personalistas?
Vem-nos o Apelo do Alto para retornarmos ao primeiro amor, à prática incondicional do bem, à dedicação plena à verdade. Eis o perfume de Éfeso em nossas experiências diárias. A lição que nos é apresentada é por demais significativa, e o retorno do homem ao primeiro amor ou ao amor do Cristo é de imperiosa necessidade.


Matéria extraída do Livro:
APOCALIPSE – Uma Interpretação Espírita das Profecias.
Autor Espiritual: ESTEVÃO.
Médium: ROBSON PINHEIRO.


Por : José Roberto Almeida Valente 

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