sexta-feira, 12 de outubro de 2012

A QUARTA IGREJA: TIATIRA

"Ao anjo da igreja de Tiatira escreve: Isto diz o Filho de Deus, que tem os olhos como chamas de fogo, e os pés semelhantes a latão reluzente:

Conheço as tuas obras, e o teu amor, e o teu serviço, e a tua fé, e a tua perseverança, e sei que as tuas últimas obras são mais numerosas do que as primeiras.

Mas tenho contra ti que toleras a Jezabel, mulher que se diz profetisa. Com seu ensino ela engana os meus servos, seduzindo-os a se prostituírem e a comerem das coisas sacrificadas aos ídolos.

Dei-lhe tempo para que se arrependesse da sua imoralidade, mas ela não quer se arrepender.

Portanto, lançá-la-ei num leito de dores, bem como em grande tribulação os que com ela adulteram, caso não se arrependam das obras que ela incita.

Ferirei de morte a seus filhos. Então todas as igrejas saberão que eu sou aquele que esquadrinha os rins e os corações, e darei a cada um de vós segundo as vossas obras.

Digo-vos, porém, a vós, os demais que estão em Tiatira, a todos quanto não têm esta doutrina, e não conheceram, como dizem, as profundezas de Satanás, que outra carga não porei sobre vós:

O que tendes, retende-o até que eu venha.
                                                                                                   Ap 2:18-25


As imagens apresentadas são significativas, quando se considera a estrutura da Igreja, agora institucionalizada, ao longo de sua caminhada secular.
No Apocalipse, a mulher é sempre apresentada como a noiva de Cristo, simbolizando a comunidade religiosa, a igreja. Dessa forma, podemos ver na figura da prostituta, quando se trata de alguma profecia, a igreja que se uniu ao mundo, ao poder político, adotando posturas e doutrinas diferentes da cristã. Conhece, nesse intercâmbio com os poderes do mundo, as "profundezas de Satanás" (Ap 2:24), isto é, desce ao máximo em sua aliança mundana, afastando-se imensamente da doutrina do Cristo. Assim, a igreja se torna uma falsa profetisa (cf. Ap 2:20), trazendo o erro e o desequilíbrio, em lugar do ensinamento humilde e renovador do Evangelho.
Esse quadro representa de forma clara a situação da Igreja, após sua união com o Estado, que se faz seguir, então, pela ignorância espiritual que veio inaugurar as trevas da Idade Média. Nessa ocasião, os reis e soberanos de toda a Terra, que deram à Igreja o poder temporal na forma do papado, passaram a sofrer os desmandos e as tiranias que pretensos representantes do cristianismo impuseram ao mundo, como um fardo pesado e cruel, em séculos e séculos de trevas morais.
Nesse período, no entanto, é que aparecem aqueles que verdadeiramente representaram a réstia de luz que o céu enviou à Terra, para dar novas dimensões ao ensino cristão e tentar fazer que a Igreja retornasse ao caminho do Alto.
Vemos, aí, a vida missionária de Francisco de Assis e de muitos outros, que superaram em intensidade e qualidade aquilo que faltou à Igreja, como se fossem as suas vidas um apelo constante que o Pai enviava a seus filhos relapsos.
A igreja, prostituída em seus fundamentos doutrinários, é, na alegoria bíblica, a representação da mulher infiel, que abandona a presença de seu esposo __ Jesus__ e se lança aos braços de outro, estabelecendo aliança com doutrinas e poderes mundanos.
Mas a mensagem continua, referindo-se à vida missionária daqueles que exemplificaram a fidelidade aos princípios superiores. O exemplo desses missionários, que desciam à Terra periódicamente, deveria ser seguido: "O que tendes, retende-o até que eu venha"  (Ap 2:25). O texto refere-se ao futuro, quando o Cristo retornaria para restabelecer seu ensinamento, com o Consolador prometido, momento em que se faria luz mais completa  sobre os conceitos comprometidos devido à atuação irresponsável da Igreja e de seus representantes.
A comunidade cristã não ficaria abandonada indefinidamente, mas seria visitada com a luz da genuína doutrina do Mestre, que seria restabelecida no mundo pelos divinos mensageiros do bem. Eles retornariam à Terra e, tais quais vozes dos céus, fariam reviver a verdadeira fé, a doutrina do Cristo, como mais tarde veremos em outra imagem profética do Apocalipse.

Tiatira: Localizada em um vale, a cidade de Tiatira não possuía fortificações naturais; logo, estava exposta a ataques e invasões. Sendo assim, havia uma fortaleza para defender a cidade e obstruir o caminho para Pérgamo, que era a capital. Era uma cidade comercial, onde se vendia de tudo, e todo o comércio estava associado a uma divindade pagã. Para o cristão, tal fato impunha um dilema: ou ele participava da sociedade, e com isso trazia escândalo para o nome de Cristo, ou ele afastava-se da sociedade, e com isso, tinha a perda de seus privilégios.

Autor Espiritual: Estevão.
Médium: Robson Pinheiro.
Matéria Extraída do Livro: Apocalipse - Uma Interpretaçaõ Espírita das Profecias.

Por: José Roberto Almeida Valente.
    

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