Agricultura
Nos últimos anos a produção de arroz, milho e feijão vem merecendo atenção especial no setor agrícola do Estado. Nas culturas industriais o destaque fica por conta do café, com a inclusão do Pará no Funcafé – Fundo Nacional do Café.
O dendê também vem merecendo atenção do Governo, que negociou a implantação de um projeto piloto de mil hectares, envolvendo pequenos produtores através de recursos do BNDES – Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social.
Na produção de fibra, as culturas da juta e do algodão foram retomadas e a do Curauá se encontra em processo de consolidação. A soja também merece destaque. Hoje o Pará possui três pólos em plena produção. As áreas escolhidas para o plantio foram as alteradas e as de cerrado, que correspondem à metade da área de soja plantada em todo o país. O Pará é o maior produtor brasileiro de óleo de palma, com uma produção de 79 mil toneladas, quatro vezes maior que o segundo maior produtor, a Bahia.
A produção agrícola é liderada pelas culturas industriais, mas as fruteiras têm grande potencial e suas áreas de cultivo estão em expansão, principalmente as frutas tropicais exóticas, como o cupuaçu, a pupunha e o açaí, além das introduzidas, como o maracujá, o abacaxi e o mamão, todas exigindo processamento tecnológico industrial.
A Agro-indústria é o caminho apontado por técnicos da Secretaria de Agricultura para o desenvolvimento do setor agrícola do Pará. As ações do Governo do Estado buscam estimular a organização dos produtores em associações ou cooperativas para facilitar o acesso aos recursos financeiros.
CULTURA ALIMENTAR
A agricultura paraense se destaca pela produção de culturas alimentares de ciclo curto, principalmente arroz, feijão, milho e mandioca. Nesta área, o Programa de Sementes Fiscalizadas de Arroz, Milho e Feijão contribuiu para que a produção agrícola do Pará saltasse de 600 mil toneladas, em 1994, para mais de um milhão de toneladas, que deverão ser alcançadas em 1998.
Este sistema é praticado por pequenos produtores, através de programas de colonização e assentamento implementados pelos governos estadual e federal. Os cultivos são, normalmente, feitos de forma consorciada ou de rotação, com baixo padrão tecnológico, sendo ainda bastante freqüente a agricultura itinerante. Este sistema consiste na derrubada e queima da floresta primária ou secundária em pequenas e médias propriedades, caracterizando a chamada Agricultura Familiar. O excedente da produção agrícola familiar é destinado ao abastecimento de centros urbanos.
Segundo o Censo Agropecuário do IBGE, os estabelecimentos de até 100 hectares, que correspondem a 20% da área ocupada do Estado onde predomina a agricultura familiar, são responsáveis por 88% da produção estadual de mandioca, 73% do feijão, 67% do milho, 54% do arroz, 69% da banana, 71% da laranja, 46% do café e 41% do cacau. Mesmo assim só 15% desses agricultores detêm a posse definitiva da terra e, por isso, têm dificuldade de acesso ao crédito rural por falta de garantias reais.
MANDIOCA
A mandioca ocupa uma área plantada de aproximadamente 542 mil hectares e está presente em quase todos os municípios. Em 1997 a área colhida foi de 285.131 hectares e a produção alcançou 3.856.015 milhões de toneladas de raízes, colocando o Pará como o primeiro produtor nacional do produto.
A principal forma de aproveitamento da cultura é a farinha d’água, que utiliza em torno de 95% as raízes produzidas, apresentando um rendimento correspondente a 822 mil toneladas. Além da farinha, a mandioca e seus subprodutos podem ser utilizados ainda como ração para pequenos animais, polvilho, tucupi (usado no tradicional pato no tucupi), goma e maniva (ingrediente principal da maniçoba, comida típica da região feita a partir da folha da mandioca).
GRÃOS
ARROZ, MILHO E FEIJÃO
A produção de grãos no Pará alcança mais de 1 milhão de toneladas, graças ao Programa de Difusão de Sementes da Secretaria Estadual de Agricultura. O Programa consiste na distribuição de sementes fiscalizadas básicas para mini e pequenos produtores. Nesses últimos três anos foram colocadas à disposição dos agricultores mais de duas mil toneladas do produto, beneficiando mais de 45 mil produtores rurais.
Até 1995 as sementes alimentares difundidas eram adquiridas pelo governo de centros produtores fora do Estado. Hoje 60% dessas sementes são produzidas em território paraense.
HORTALIÇAS
A plantação de hortaliças no Estado é praticada comercialmente nas áreas dos municípios próximos à Grande Belém, com uma produção direcionada basicamente para as folhosas, que abastece o mercado com auto-suficiência. Em contrapartida, a produção de hortaliças-fruto é deficiente, com o Pará importando cerca de 95% do que consome.
Para tentar reverter esse quadro, o Governo do Estado vem estimulando o uso de tecnologias nas regiões produtoras, como por exemplo, o processo de plasticultura com irrigação, já aplicado em muitas propriedades.
Fruticultura
A Amazônia brasileira é um celeiro de produtos naturais. Na área da fruticultura o Pará se destaca no cultivo de fruteiras como o cupuaçu, açaí, bacuri, graviola, guaraná, manga, muruci, taperebá, abacaxi, acerola e caju, muitas delas típicas da região.
O setor vem alcançando um desenvolvimento significativo, integrando o cultivo de espécies nativas com outras adaptadas e de mercado consolidado. O potencial agroindustrial das frutas exóticas da Amazônia é gigantesco em função, principalmente, de características como sabor, aroma e cor. A utilização do produto é basicamente na forma de sucos, doces, geléias e sorvetes.
Para expandir o setor o Governo do Estado trabalha com a implantação de jardins clonais de culturas perenes e semi-perenes.
AÇAÍ
É uma palmeira típica da Amazônia, com multiplicidade de uso. No sistema extrativo, atualmente o mais utilizado, os frutos destinam-se ao consumo local e o palmito à exportação.
Os plantios racionais ainda são raros, mas nos últimos anos vêm despertando interesse dos agricultores e de grupos empresariais pelas perspectivas promissoras de mercados interno e externo. Da polpa dos frutos obtém-se o suco do açaí, alimento essencialmente energético, com elevado valor calórico.
Com relação à produção de palmito, o açaizeiro é hoje a principal fonte desse produto, sendo 95% de todo o palmito produzido no Brasil. O Estado do Pará é o maior produtor nacional.
Área plantada no Estado – 4.200 hectares
Produção – 117.969 toneladas
Rendimento médio – 28.101 Kg/ha
A região das ilhas, próximo à Belém, é a maior produtora, constituindo-se a base alimentar da população. Para fomentar a cultura, o Governo do Estado, através da Secretaria Estadual de Agricultura, trabalha com a produção de mudas para distribuição aos produtores e faz a intermediação, junto aos agentes financeiros, para financiamento de cultivos racionais.
Valores nutricionais da polpa do açaí
Componentes %
Proteína ………………………………… 2,37
Gordura ………………………………… 5,96
Cálcio ………………………………… 0,05
Fósforo ………………………………… 0,0033
Ferro ………………………………… 0,0009
Vitamina A ………………………………… Traços
Vitamina B1 ………………………………… Traços
CUPUAÇU
Entre as fruteiras tropicais o cupuaçuzeiro é um dos mais importantes. Seu fruto é totalmente aproveitável. A casca pode ser utilizada como ração, a polpa como matéria-prima para sucos e enlatados e a semente para a fabricação do cupulate (chocolate feito a partir do cupuaçu).
A produção estadual da fruta, em 97, atingiu 9.133 frutos, mas a procura ainda é maior que a oferta em função da necessidade das indústrias de suco. Com relação ao aproveitamento da fruta, 38,40% correspondem à polpa, 44,60% à casca e 17,20% à semente.
ABACAXI
Até o ano de 1996, o Pará ocupava o 3º lugar no ranking dos maiores produtores de abacaxi. Hoje alcança a segunda colocação, com uma produção, em 1997, de 249 milhões de frutos, quase o dobro do que foi produzido no ano de 96 (127 milhões de frutos).
Com esses números o Pará superou a produção da Paraíba, perdendo agora somente para Minas Gerais, que registrou uma produção de 310 milhões de frutos.
O município de Floresta do Araguaia, no sul do Pará, continua sendo o maior produtor do Estado.
Matéria Extraída da Revista Eletrônica Isto é AMAZÔNIA! José Roberto Almeida Valente.
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