quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

A VIDA PARA LÁ DE DIFÍCIL!

      

                Nascemos de família humilde, meu irmão, eu, e mais duas irmãs.
                A família da minha mãe, de Recife, era pobre!
                A família do meu pai, era um pouco melhor posicionada.
                De Belém do Pará, era de classe média.
                Ao final desta entrada de Blog, o leitor amigo certamente ficará pensando se éramos crianças normais ou problemas; sortudos ou infelizes no vêr do Mundo; Pobres ou ricos.
               Minha mãe foi mulher bonita, trabalhadeira, excelente amiga, e desde
pequenos, nos encaminhou para a Religião, a Educação, e nos deu tudo o que estava ao seu alcance!
               Tenho poucas lembranças do meu pai, quando eu era ainda criança.
               Meu pai foi Sargento Especialista da Aeronautica, e estava sempre trabalhando.
               Lembro que quando o víamos, ficávamos muito contentes!
               Sempre ele nos trazia algum brinquedo, sandália, ou nos levava para as praias.
               Minha mãe trabalhou em ótimo Salão de Beleza no Centro de Recife!
               Para chegar ao seu trabalho, ela tomava dois ônibus.
               Para voltar, outros dois ônibus.
               Trabalhando desde os doze anos de idade, o trabalho é uma das suas mais fortes virtudes.
               As melhores lembranças da minha infância, são com certeza, com meus irmãos e mãe no Cinema,
na Igreja, na Escola e na praia!
               Apenas uma irmã nossa, nasceu em Belém do Pará.
               A minha avó era Alagoana e o meu avô, Pernambucano.
               Os dois formavam, ao meu ver, aqueles casais especiais!
               O amor deles era o duradouro, sério e atravessaria toda a existência com mútuo carinho e veneração um para com o outro.
               Quando disse especial, quiz incluir também, a programação que certamente eles trouxeram do Alto, de trabalharem juntos, a vida intiera, superando as fazes mais difíceis de suas vidas!
               O meu avô entre outras profissões, foi garçon.
               A minha avó viveu para o lar.
               Cêdo madrugavam e quando nós acordávamos tinha café pronto, e o feijão, por vezes com cuscuz, batata-doce, macaxeira, fruta-pão,… davam-nos uma alimentação nada muito fraca para pobres.
               Dois tios, desde cedo foram para a Marinha do Brasil, deixando bastante trizte a casa!
               Um outro, de temperamento muito difícil, foi servir na Aeronáutica onde seguiu carreira até o posto de cabo.
               Eu achava bonito vê-lo de farda, e armado!
               Nós sentíamos mais segurança em casa!
               Tínhamos também, uma tia problemática.
               Mais eu era muito criança e não entendia e não enxergava quase nada dos problemas dela.
               Certa vez, eu brincava com um ou dois colegas na frente de casa, na Vila.
               - Lá vêm um carro!
               Enunciou um dos amigos.
               O carro veio se aproximando de vagarinho!
               Eu falei:
               – Ele está vindo para cá!
               Chegou bem próximo a nós e buzinou!
               Como nós não saíssemos do lugar, o motorista buzinou novamente e nós levantamos
depressa!
               Eles desceram sorrindo e olhando para nós.
               O motorista, em seguida perguntou:
               – É aqui que mora o seu Deodato?
               Eu respondi:
               – É aqui sim! Ele é o meu avô!
               – Viemos trazer este carro para ele.
               – Para o vovô?!
               Lembro que me perguntei no pensamento:
               É aniversário dele?!
               Nós sentimos alegria, mas não sabíamos expressar.
               – Eu posso olhar o carro?!
               Ele deu um sorriso maior que o primeiro, e acrescentou:
               – É claro que pode!
               – O seu Deodato está em casa?!
               Respondi:
               – Não. ele está no trabalho!
               – E com quem nós falamos para entregar o carro?
               Eu e os colegas, fomos observar os detalhes.
               – É um Jeep!
               – É um presente para o seu avô!
               – Que carro bonito!
               - E o meu avô vai mesmo ficar com ele?
               – É claro que vai.
               Nisto surgiu a minha avó na porta de casa.
               Diga senhor!
               Eles se apresentaram, e em seguida informaram:
               – Este Jeep é para o Sr. Deodato Sivirino Victorino.
               – Viemos apenas entregar.
               Minha avó ficou tão emocionada, que errou nas palavras.
               Os senhores continuaram:
               – É um presente dos jogadores do Santa Cruz para ele!
               Minha avó clamou uma prece em vós alta, evocando o nome de Deus e afirmando
que ela e o vovô não mereciam aquilo.
               Em seguida, começou a chorar.
               Neste momento, os senhores se aproximaram e a confortaram!
               Na frente e próximo de casa, havia grande quantidade de gente, observando e comentando o carro novo do vovô.
               A esta altura, eu já havia feito muitos planos, e estava ávido por andar no Jeep.               
               Os meus avós decidiram vender o Jeep para comprar o terreno, que até então era alugado, 
e construir uma casa nova.
               Fizemos algumas viagens pelo antigo avião da FAB, para Belém.
               O primeiro momento, foi de mêdo, mas alguns minutos depois de a aeronave encontrar-se
entre as nuvens, os risos demonstravam a felicidade de conhecer e viajar de avião.
              Nós gostamos muito de Belém!
              Lugar diferente, porém agradável!
              Os nossos avós, tios, tias, … gostaram de todos! Mas se interessaram por mim!
              Queriam que eu ficasse em Belém com eles.
              Talvez haja sido portanto, que eu fui para Recife e voltei para Belém muitas vezes.
              Entretanto, nós fomos muleques danados; e ponha danados nisso!
             Quando meu pai estava viajando ou no quartél, e a nossa mãe trabalhando, nós enganávamos à vóvó e os tios, e íamos para a praia de Boa Viagem.
              Nós, juntamente com os colegas da Vila, íamos para lugares distantes jogar bola, pescar peixes de
aquários, para Praças no Centro da Cidade que possuíam lagos, para podermos brincar de pira e tomar
banho, e para as Praias.
              Na maioria das vezes íamos a pés descalços ou de sandálias Havaianas.
              Quando tínhamos algum trocado, íamos de ônibus.
              De todas as aventuras, nenhuma era mais agradável e causava mais alegrias, do que ir à Praia!
              Quando avistávamos a água verde e ás vezes azul do Oceano, a ventura da alma somente nossos Anjos Guardiãos sabem conceituar.
              Havia um problema capital.
              Na maioria das vezes, nós não possuíamos dinheiro para comprar um picolé.
              Muitas vezes a maré estava na vazante, e nós nadávamos para os recifes para brincar!
              Passando sobre as Piscinas Naturais, observávamos os aspectos do mar, os cardumes de peixes
coloridos, estrelas-do-mar,  e filhotes de povo.
              Descansávamos quando chegávamos nos recifes!
              Era comum encontrarmos oriços do mar nos recifes.
              Após descansarmos, começavamos a brincar de pira.
              A praia estava agora, depois dos recifes.
              Nós corríamos pela areia e tomávamos banho em altomar.
              Eu tinha pressentimentos associados ao mêdo!
              Brincava só um pouco e tratava logo de voltar para a praia além
das piscinas Naturais.
              Os nossos colegas eram afoitos, e o meu irmão ficava com eles até a maré encher e alargar
as piscinas, para que eles pudessem voltar nadando dos recifes.
              À época, Recife não era tão desenvolvida quanto hoje.
              Pelo São João, Recife fazia uma festa para lá de bonita!
              No nosso bairro, e especialmente na nossa vila, havia disputas de quem fazia a maior e a melhor fogueira.
              Eu nunca vi, em todo o Brasil, São João tão animado e bonito!
              Assava-se muito milho verde nas fogueiras!
              Fazia-se mingau de milho, milho cuzido, canjica, pamonha, angu, munguzá, cocadas,…
              Nestas datas, nós nos alimentavamos muito melhor!
              A Vila era toda ornamentada com bandeirinhas, fitas coloridas, pequenos balões,…
              Havia quadrilha e música que animavam bastante a festa!
              Havia também um senhor de nome seu Brito, que fazia gigantes e muito belos balões!
              Ele envolvia a molecada, e pedia-nos para auxiliá-lo a soltar os balões.
              À primeira vez que vi um balão encher, e logo depois começar a subir, aquele balão
encheu também a minha imaginação e eu fiquei pasmo!
             – Que coisa linda!
             – Será que ele vai subir?!
             – Será que ele chega ao céu?!
             Quando o balão passava do telhado das casas da Vila, o céu de Recife estava iluminado de balões
de todas as cores e tamanhos.
             Não é exatamente igual, mas parecia com o céu iluminado pelos Astros, quando observamos de uma Fazenda ou um interior onde não há luz alguma.
              Eu fiz Catecismo e Primeira Comunhão, na Paróquia e na Igreja Batista que havia na esquina ao lado da Vila.
              Até hoje, gosto dos filmes Bíblicos como: Moisés e os Dez Mandamentos, Ulisses, Sansão e Dalila,
Marcelino Pão e Vinho, e outros, que a minha mãe nos levou para assistir nos Cinemas!
             Quando na juventude passei por problemas que considerava muito difíceis, aceitei com certa facilidade as verdades religiosas e me fiz espírita.
             Hoje sou grato ao CONSOLADOR PROMETIDO por muitas conquistas em minha vida!
             Entretanto, reconheço que, se não fosse a educação que a nossa mãe nos deu, talvez nem aceitasse a solução dos meus problemas, através de uma Doutrina Religiosa.
             Numa de nossas fugas para desbravar o Mundo, fomos para o Mundão do Arruda (Campo do Santa Cruz).
             Sempre o Rogério, o João, o meu irmão,… é que faziam as mais incríveis descobertas!
             Desta vez descobriram uma entrada por um posto subterrâneo de telefone, que nos levava la dentro do campo de futebol.
             Nós abríamos o posto, tirando a tampa de cimento armado e descendo para o subsolo, e nos dirigindo até o fosso que havia dentro do Estádio.
             Lá dentro, brincávamos de pira nas arquibancadas, cadeiras cativas, gerais,…
             Uma coisa não conseguimos fazer:
             Jogar bola naquele campo grande e de gramado belíssimo!
             E certa vez, eles descobriram uma passagem para a parte de cima da cobertura do Estádio, onde ficavam os refletores.
             Nós colocamos uma escada e subimos para o telhado.
             – Vamos tomar cuidado!
             – Nada de ir para as bordas para brincar.
             – Que beleza!!
             – Dá para ver a Cidade!
             – Olha como tudo aparece pequenino!!!
             – Olha a nossa Vila!
             – Só não dá para ver as praias.
             – … … …
             Próximo da Vila onde morávamos, havia um grande terreno com uma boa plantação de coco.
             Às vezes, nós pulávamos para lá, para apanhar alguns cocos que ficavam pelo chão.
             Com o passar do tempo, o meu irmão e outros colegas, iniciaram uma disputa para ver quem se garantia subir nos coqueiros imensos.
             Eles subiam sem camisas, e sem aquela corda nos pés.
             Haviam alguns cachorros que ladravam e que muitas vezes pôs eles para correr lá de dentro.
             Era necessário correr e subir logo em um dos coqueiros, para ficar livre dos cachorros.
             O dono do terreno, apesar de aparentar ser muito bravo, conhecia os nossos pais e sabia onde morávamos.
             Por esta razão, depois de crescidos, nós chegamos à conclusão de que ele não pegou pesado conôsco.
             Eles subiram cada um em um coqueiro.
             De repente surge o senhor, empunhando uma espingarda que parecia de longo alcance!
             As plantas eram mesmo muito altas, e eles ficavam em cima das palmáceas.
             O homem começou a esbravejar:
             – Seus malouqueiros.
             – Vou derrubar um por um daí de cima, que é para vocês aprenderem.
             – Eu não disse que não quero ninguém no meu terreno, inda mais roubando meus cocos?!
             Eles ficaram com muito mêdo!
             – Senhor, nós só subimos para pegar uns dois cocos e ja íamos embora!
             – Vocês estão mentindo, desçam logo daí.
             – Não. Se descermos o senhor atira na gente.
             – Eu não vou fazer isto!
             – Vai sim!
             – O que seus muleques?!
             – Vocês estão me desmentindo?!
             – É isto mesmo!
             – A gente desse e o senhor atira na gente.
             …..
             …..
             …..
             Naquele dia, o meu irmão e os demais colegas tomaram uma lição!!!
             Foi necessário que o dono do terreno desarmasse a espingarda e entrasse em casa, para que eles
tomassem coragem para descer dos coqueiros.
             Eu prestava mais atenção no meu irmão!
             Quando ele chegou ao chão, estava demais desconfiado, pálido e suas pernas tremiam que quase ele não conseguia ficar em pé.
             Eu sem ir, fiquei com muito mêdo, imaginem eles!
             Os momentos mais seguros, sem dúvida, foram na Escola e na Igreja!
             Sempre estudamos em Escolas do governo.
             Formamos nos Cursos de segundo Graus e Cursos Federais.
             Não temos nada para nos queixarmos dos Ensinos.
             E a nossa vida melhorou um pouco, e mudamos para uma casa alugada, num bairro mais próximo do Campo do Santa Cruz.
             Após chegarmos de Belém, chegoaram para nós, dois violõs Gianinis.
             O meu era vermelho com as bordas pretas; o do meu irmão era verde com uma estrela branca de plástico no centro, e as bordas pretas.
             Na nova vizinhança, haviam dois amigos que sabiam afinar e tocar violões.
             Foi com eles que aprendemos os primeiros passos e a tocar algumas músicas.
             Não é que nós levavamos jeito para aprender a tocar e a cantar?
             Era época dos Secos e Molhados, Os Folhas, Demis Russo, sucessos antigos do Michael Jackson
ao lado dos Irmãos, Roberto Carlos,….
            Quase todos os dias, do fim de tarde e à noite, nós nos reuníamos para tocar, cantar e aprender novas posições e canções!
            Nós aprendemos muito de ouvido, e observando os colegas à tocar e à cantar!
            Um dos colegas era o Marcos, o outro era o Jorge.
            Às vezes levavam um tocador novo para participar do nosso grupo iniciante!
            Nós não nos interessamos em entrar para um conservatório e, também, jamais pensamos em fazer carreira de Cantores.
            Por esta razão, é que acho que perdemos aquela oportunidade.
            A minha avó, de Belém, chegou a Recife!
            Hoje ela já se encontra no Mundo dos Espíritos.
            Mas guardo algumas lembranças dela, por aquelas ocasiões.
            A casa em que nós morávamos era pequena, mais liminha e agradável!
            Nós ganhamos, de uma senhora, um cachorro meio de raça e também vira-latas.
            Ele protegia a nossa casa.
            Quando a vovó chegou na frente de casa, ele latia e pulava avisando que havia estranhos!
            Na nossa frente, e principalmente da mamãe, ele amançava.
            Mas ele tinha problemas de comportamento.
            Toda visita que ia em casa, no início ele rosnava e ficava mostrando os dentes.
            Logo ele amançava!
            Depois de a visita entrar e conversarmos um pouco, às vezes ele começava a estranhar novamente.
            Por vezes a mamãe ia na cozinha buscar um cafezinho com bolachas ou mesmo água. Quando ela voltava, geralmente encontrava a visita em cima das cadeiras e até da mesa.
            - Dona Zorilda, o dick quer me morder; ele está me estranhando!
            A mamãe ficava muito envergonhada e brigava sério com ele.
            E houve um desencontro entre nós e a vovó no Aeroporto.
            Quando nós chegamos em casa, a vovó ja se encontrava lá no portão
            Nós tomamos todos os cuidados, e a vovó pode entrar em casa.
            Ela tinha os cabelos bem grisalhos e era muito branca!
            Não sabemos medir o tamanho da nossa felicidade, em receber a vovó entre nós.
            No outro dia, foi que a mamãe falou do cachorro para ela.
            Após explicar o que se passava e dar algumas informações sobre o melhor proceder para que ele não a mordesce, minha mãe perguntou:
            - Ele não fez nada com a senhora não é mesmo?!
            No que a minha avó respondeu:
            - Não. Ele só rasgou uma parte do meu vestido!
            Eu não lembro bem como, nem sei a razão.
            O papai havia saído da Aeronáutica e passou a trabalhar no Bom Preço (rede de supermercados de Recife).
            Em pouco tempo nós mudamos de novo, para uma casa mais bonita, maior e mais confortável!
            A casa ficava na rua que era na esquina da nossa.
            Havia um terraço bonito e uma área relativamente grande na frente da casa, sombreada por uma castanhola muito grande!
            Nós colocávamos cadeiras na área da frente, e ali tocávamos e cantávamos as nossas modas!
            Certa vez, fomos com dois tios nossos que eram quase oficiais da Marinha, para Olinda, na praia de Casa Caiada.
            O tio Bio tinha quase dois metros de estatura e era acostumado a mergulhar e viajar pelos Oceanos
do Mundo!
            Chegamos em Casa Caiada, e a praia estava cheia de banhistas!
            Lembro que passei o dia inteiro brincando na areia e fazendo castelos na areia!
            A praia de Casa Caiada é considerada uma praia muito perigosa!
            Muitas pessoas já morreram nela.
            Logo próximo da beira há uma descida para um canal que torna a praia muito perigosa!
            Vendo que eu ainda não havia tomado banho, o tio Bio pegou-me e colocou-me nos seus ombros.
            Disse:
            - Vamos tomar um banho agora muleque!
            Eu fiquei com mêdo e comecei a tentar me livrar dele!
            Ele segurou forte nas minhas mãos e se dirigiu para dentro dágua
            Eu chorava e gritava mas quando vi que ia mesmo tomar banho, calei e mais observava horrorizado!
            A maré estava cheia e as ondas eram muito fortes!
            Ele desceu um pouco no canal, e logo subiu!
            - Tás gostando?!
            - Precisas perder este mêdo!
            - Quando vier a onda, segura a respiração e fecha os olhos.
            - Não têm medo que nada vai te acontecer!
            A onda veio com vontade!
            Quando ela nos atingiu, ele afundou e eu fiquei de fora.
            Mas as ondas eram mesmo grandes, e a crista da onda quebrou em cima de mim.
            Em parte eu me sentia seguro, mas prendi a respiração e, antes de fechar os olhos tomei um banho de sal.
            Meus olhos ardiam e eu comecei novamente a chorar.
            Nós ficamos dentro dágua mais uns dez ou quinze minutos, e depois ele resolveu sair!
            Foi uma mistura de mêdo e prazer; insegurança e prazer; choro e prazer!
            Eu me sentia feliz por estar com ele!
            Entretanto, tive uma crise de choro e mau-humor.
            O tio João falou:
            - Aí muleque?! Agora eu gostei de ver!
            - Agora és meu sobrinho!
            O tio fernando dizia:
            - Parece uma banana chorona!
            A mamãe falou para o bio:
           – Você não devia ter feito isto.
           – Ele é apenas uma criança!
           O Wadeco ria para valer!
           O tio João disse:
           – Mana, ele precisa perder este mêdo.
           – Se não, ele vai crescer com mêdo de quase tudo!
           Os demais concordavam.
           Eu me agarrei nas pernas da mamãe, chorava e pedia para ir embora para casa.
           Hoje digo que a experiência valeu!
           Mas só o meu Anjo Guardião sabe o quanto eu sofri naquele banho.
           E como se não basatasse, ganhei o apelido de banana chorona, e tive que aturar gozações por duas
semanas.                                                               
            Assim foi a nossa vida.
            A honestidade e o trabalho foram as Lições que mais se destacaram em nosso caminho.
            Jogando bola na rua, impinando papagaios, conhecendo novos companheiros,…
             Na soma de tudo, aprendemos muito e sorrimos!
             Mas às vezes, nos metemos em situações de meter muito mêdo!
             Às vezes apanhávamos da mamãe, às vezes do papai, e levamos uns e outos cascudos e ralhos dos tios e avós.
             Se tenho mágua?! Nenhuma.
             Nós merecíamos ter apanhado mais.
             Relembrando hoje estas coisas, já me emocionei, pedi perdão a Deus, e senti muitíssimo pela minha mãe e familiares!
             Mas minha mãe é uma natureza pra lá de boa, e me disse:
             – Ah meu filho, eu já superei estas coisas!
             – Isto é coisa de criança!
                 






                                José Roberto Almeida Valente                     
               

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