Belém, 26 de Abril de 2010.
DEUS E O INFINITO
Que é deus?
” Deus é a inteligência suprema, causa primeira
de todas as coisas”
Que se deve entender por infinito?
”O que não têm começo nem fim; o desconhecido.
Tudo o que é desconhecido é infinito.”
Poder-se-ia dizer que Deus é o infinito?
“Definição incompleta. Pobreza da linguagem
dos homens, insuficiente para definir o que está acima da
sua inteligêngia.”
Allan Kardec: Deus é infinito em suas perfeições,
mas o infinito é uma abstração. dizer que Deus é o infinito
é tomar o atributo de uma coisa pela própria coisa; é de fi-
nir uma coisa que não é conhecida por outra que também
não o é.
PROVAS DA EXISTÊNCIA DE DEUS
Onde se pode encontrar a prova da existência
de Deus?
“Num axioma que aplicais às vossas ciências:
não há efeito sem causa. Procurai a causa de tudo o que
não é obra do homem e a vossa razão vos responderá.”
Allan Kardec: Para crer em Deus basta lançar os
olhos sobre as obras da Criação . O Universo existe, logo têm
uma causa. Duvidar da existência de Deus seria negar que
todo efeito tem uma causa e avançar que o nada pôde fazer
alguma coisa.
Que conseqüência se pode tirar do sentimento in-
tuitivo, que todos os homens trazem em si, da existência de
Deus?
“Que Deus existe; pois, de onde lhes viria esse sen-
timento, se não se apoiasse em alguma coisa? É ainda uma
conseqüência do princípio de que não há efeito sem causa.”
O sentimento íntimo que temos da existência de
Deus não seria fruto da educação e das idéias adquiridas?
“Se assim fosse, por que os vossos selvagens teriam
esse sentimento?”
Allan Karde: Se o sentimento da existência de um
ser supremo fosse apenas produto de um ensino, não seria u-
niversal e, como sucede com as noções científicas, só existiria
nos que houvessem podido receber esse ensino.
Poder-se-ia encontrar nas propriedades íntimas da
matéria, a causa primeira da formação das coisas?
“Mas, então, qual seria a causa dessas propriedades?
É preciso sempre uma causa primeira.”
Allan Karde: Atribuir a formação primeira das coi-
sas às propriedades íntimas da matéria seria tomar o efito pela
causa, pois essas propriedades são, em si mesmas, um efeito que
deve ter uma causa.
Que pensar da opinião que atribui a formação pri-
meira a uma combinação fortuita da matéria, ou seja, ao aca-
so?
“Outro absurdo. que homem de bom senso pode con-
siderar o acaso como um ser inteligente? E, além disso, o que
é o acaso? Nada!”
Allan Kardec: A harmonia que rgula as forças do U-
niverso, revela combinações e propósitos determinados e, por i-
sso mesmo, denota um poder inteligente. Atribuir a formação
primeira ao acaso seria um contra-senso, pois o acaso é cego e
não pode produzir os efeitos que a inteligência produz. Um a-
caso inteligente já não seria acaso.
Onde se vê, na causa primeira, uma inteligência
suprema e superior a todas as inteligências?
“Tendes um provérbio que diz: Pela obra se conhece
o autor. É o orgulho que gera a incredulidade. O homem orgu-
lhoso nada admite acima de si e é por isso que se julga um espí-
rito forte. Pobre ser, que um sopro de Deus pode abater!”
Allan Kardec: Julga-se o poder de uma inteligência
pelas suas obras. Não podendo nenhum ser humano criar o que
a Natureza produz, a causa primeira é, portanto, uma inteli-
gência superior à Humanidade.
Quaisquer que sejam os prodígios realizados pela
inteligência humana, ela própria tem uma causa e, quanto
maior for o que realize, tanto maior há de ser a causa primei-
ra. Essa inteligência superior é que é a causa primeira de to-
das as coisas, seja qual for o nome pelo qual o homem a designe.
ATRIBUTOS DA DIVINDADE
Pode o homem compreender a natureza íntima de
Deus?
“Não; falta-lhe, para tanto, o sentido.”
Será dado um dia ao homem compreender o misté-
rio da Divindade?
“Quando seu espírito não mais estiver obscurecido
pela matéria e, pela sua perfeição, se houver aproximado de
Deus, então o verá e o compreenderá.”
Allan Kardec: A inferioridade das faculdades do
homem não lhe permite compreender a natureza íntima de
Deus. Na infância da Humanidade, o homem o confunde mui-
tas vezes com a criatura, cujas imperfeições lhe atribui; mas
à medida que nele se desenvolve o senso moral, seu pensa-
mento penetra melhor no âmago das coisas; então ele faz da
Divindade uma idéia mais justa e mais conforme à sã razão,
embora sempre incompleta.
Se não podemos comprender a natureza íntima de
Deus, podemos ter idéia de algumas de suas perfeições?
“Sim. de algumas. O homem as compreende melhor
à medida que se eleva acima da matéria; ele as entrevê pelo
pensamento.”
Quando dizemos que Deus é eterno, infinito, imutá-
vel, imaterial, único, onipotente, soberanamente justo e bom,
não temos uma idéia completa de seus atributos?
“Do vosso ponto de vista, sim, porque acreditais a-
branger tudo. Mas ficai sabendo que há coisas acima da in-
teligência do homem mais inteligente e para as quais a vossa
linguagem, limitada às vossas idéias e sensações, não tem co-
mo se expressar. A razão, com efeito, vos diz que Deus deve po-
ssuir essas perfeições em grau supremo, porque, se tivesse uma
só de menos, ou não a tivesse em grau infinito, não seria su-
perior a tudo e, por conseguinte, não seria Deus. Para estar
acima de todas as coisas, Deus não pode achar-se sujeito a
nenhuma vicissitude, nem sofrer nenhuma das imperfeições
que a imaginação possa conceber.”
Allan Kardec: Deus é eterno. Se tivesse tido um co-
meço, teria saído do nada, ou, então, teria sido criado por
um ser anterior. É assim que, pouco a pouco, remontamos ao
infinito e à eternidade.
É imutável. Se estivesse sujeito à mudanças, as leis
que regem o Universo não teriam nenhuma estabílidade.
É imaterial. Isto é, sua natureza difere de tudo o
que chamamos matéria; de outro modo, ele não seria imutá-
el, porque estaria sujeito às transformações da matéria.
É único. Se houvesse muitos deuses, não haveria u-
nidades de vistas, nem unidade de poder na ordenação do
Universo.
É onipotente. Porque é único. Se não tivesse o sobe-
rano poder, algo haveria mais poderoso ou tão poderoso
quanto ele; não teria, assim, feito todas as coisas e as que
não tivesse feito seriam obra de outro Deus.
É soberanamente justo e bom. A sabedoria provi-
dencial das leis divinas se revela nas menores como nas
maiores coisas, e essa sabedoria não permite se duvide nem
da sua justiça, nem da sua bondade.
PANTEÍSMO
Deus é um ser distinto, ou seria, segundo a opi-
nião de alguns, a resultante de todas as forças e de todas
as inteligências?
“Se fosse assim, Deus não existiria, porque seria e-
feito e não causa. Ele não pode ser, ao mesmo tempo, uma
coisa e outra.
”Deus existe; disso não podeis duvidar e é o essen-
cial. Crede-me, não vades além. Não vos percais num labi-
rinto de onde não poderíeis sair. Isso não vos tornaria me-
lhores, mas talvez um pouco mais orgulhosos, porque acre-
ditaríeis saber, quando na realidade nada sabeis. Deixai,
pois, de lado todos esses sistemas; Tendes muitas coisas que
vos tocam mais diretamente, a começar por vós mesmos.
Estudai as vossas próprias imperfeições, a fim de
vos desembaraçardes delas, o que vos será mais útil do que
quererdes penetrar o que é impenetrável.”
Que pensar da opinião segundo a qual todos os
corpos da Natureza, todos os seres, todos os globos do Uni-
verso seriam partes da Divindade e constituiriam, pelo seu
conjunto, a própria Divindade, ou seja, que pensar da dou-
trina Panteísta?
“Não podendo fazer-se Deus, o homem quer ao
menos ser uma parte de Deus.”
Os que professam esta doutrina pretendem en-
contrar nela a demonstração de alguns dos atributos de
Deus. Sendo infinito os mundos, Deus é, por isso mesmo, in-
finito; não existindo o vazio, ou o nada em parte alguma,
Deus está por toda parte; estando Deus em toda parte, jáque
tudo é parte integrante tegrante de Deus, ele dá a todos os
fenômenos da Natureza uma razão de ser inteligente. Que
se pode opor a este raciocínio?
” A razão. Refleti maduramente e não vos será
difícil reconhecer-lhe o absurdo.”
Allan Kardec: esta doutrina faz de Deus um ser
material que, embora dotado de suprema inteligência, seria
em escala maior o que somos em menor escala. Ora, transfor-
mando-se incessantemente a matéria, Deus, nesse caso, não
teria nenhuma estabílidade e estaria sujeito a todas as vici-
ssitudes, mesmo a todas as necessidades da Humanidade; fal-
tar-lhe-ia um dos atributos essenciais da Divindade: a imu-
tabílidade . Não se podem conciliar as propriedades da maté-
ria com a idéia de Deus sem que Ele fique rebaixado em no-
sso pensamento e nenhuma sutileza de sofisma conseguirá
rresolver o problema de sua natureza íntima. Não sabemos
tudo o que Ele é, mas sabemos o que ele não pode deixar de
ser e o sistema acima eestá em contradição com as suas pro-
priedades mais essenciais; confunde o Criador com as cria-
turas, exatamente como se quiséssemos que uma máquina en-
genhosa fosse parte integrante do mecânico que a concebeu.
A inteligência de Deus se revela em suas obras co-
mo a de um pintor no seu quadro; mas as obras de Deus não
são o próprio Deus, como o quadro, não é o pintor que o con-
cebeu e executou.
Matéria extraída de:
O LIVRO DOS ESPÍRITOS .
ALLAN kARDEC .
José Roberto Almeida Valente.
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