terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

DEUS!


Belém, 26 de Abril de 2010.
 
                                    DEUS E O INFINITO
 
                    Que é deus?
                    ” Deus é a inteligência suprema, causa primeira
 de todas as coisas”
                    Que se deve entender por infinito?
                    ”O que não têm começo nem fim; o desconhecido.
 Tudo o que é desconhecido é infinito.” 
                              Poder-se-ia dizer que Deus é o infinito?
                    “Definição incompleta. Pobreza da  linguagem
 dos homens, insuficiente para definir o que está acima da
 sua inteligêngia.”
                    Allan Kardec: Deus é infinito em suas perfeições,
 mas o infinito é uma abstração. dizer que Deus é o infinito
 é tomar o atributo de uma coisa pela própria coisa; é de fi-
 nir uma coisa que não é conhecida por outra que também
 não o é.
                                         PROVAS DA EXISTÊNCIA DE DEUS
                 
                    Onde se pode encontrar a prova da existência
 de Deus?
                              “Num axioma que aplicais às vossas ciências:
 não há efeito sem causa. Procurai a causa de tudo o que
 não é obra do homem e a vossa razão vos responderá.”
                    Allan Kardec: Para crer em Deus basta lançar os
 olhos sobre as obras da Criação . O Universo existe, logo têm
 uma causa. Duvidar da existência de Deus seria negar que
 todo efeito tem  uma causa e avançar que o nada pôde fazer
 alguma coisa.
                    Que conseqüência se pode tirar do sentimento in-
 tuitivo, que todos os homens trazem em si, da  existência  de
 Deus?
                    “Que  Deus existe; pois, de onde lhes viria esse sen-
 timento, se não se apoiasse em alguma coisa? É ainda uma
 conseqüência do princípio de que não há efeito sem causa.”
                    O sentimento íntimo que temos da existência de
 Deus não seria fruto da educação e das idéias adquiridas?
                    “Se assim fosse, por que  os vossos selvagens teriam
 esse sentimento?”
                     Allan Karde: Se o sentimento da existência de um
 ser supremo fosse apenas produto de um ensino, não seria u-
 niversal e, como sucede com as noções científicas, só existiria
 nos que houvessem podido receber esse ensino.
                    Poder-se-ia encontrar nas propriedades íntimas da
 matéria, a causa primeira da formação das coisas?
                    “Mas, então, qual seria a causa dessas propriedades?
 É preciso sempre uma causa primeira.”
                     Allan Karde: Atribuir a formação primeira das coi-
 sas às propriedades íntimas da matéria seria tomar o efito pela
 causa, pois essas propriedades são, em si mesmas, um efeito que
 deve ter uma causa.
                    Que pensar da opinião que atribui a formação  pri-
 meira  a uma combinação fortuita da matéria, ou seja, ao aca-
 so?
                    “Outro absurdo. que homem de bom  senso pode con-
 siderar o acaso como um ser inteligente?  E, além disso, o que
 é o acaso? Nada!”
                    Allan Kardec: A harmonia que rgula as forças do U-
niverso, revela combinações e propósitos determinados e, por i-
 sso mesmo, denota um poder inteligente. Atribuir a formação
 primeira ao acaso seria um contra-senso, pois o acaso é cego e
 não pode produzir os efeitos que a inteligência produz. Um a-
 caso inteligente já não seria acaso.
                   Onde se vê, na causa primeira,  uma  inteligência
 suprema e superior a todas as inteligências?
                   “Tendes um provérbio que diz: Pela obra se  conhece
 o autor. É o orgulho que gera a incredulidade. O homem orgu-
 lhoso nada admite acima de si e é por isso que se julga um espí-
 rito forte. Pobre ser, que um sopro de Deus pode abater!”
                   Allan Kardec: Julga-se o poder de uma inteligência
 pelas suas obras. Não podendo nenhum ser humano criar o que
 a Natureza produz, a causa primeira é, portanto,  uma  inteli-
 gência superior à Humanidade.
                   Quaisquer que sejam  os  prodígios  realizados  pela
 inteligência humana, ela própria  tem  uma  causa  e, quanto
 maior for o que realize, tanto maior há de ser a causa primei-
 ra. Essa inteligência superior é que é a causa  primeira  de  to-
 das as coisas, seja qual for o nome pelo qual o homem a designe.
                        
                            ATRIBUTOS DA DIVINDADE
 
                    Pode o homem compreender a natureza íntima de
 Deus?   
                              Não; falta-lhe, para tanto, o sentido.” 
                             Será dado um dia ao homem compreender  o misté-
 rio da Divindade?
                   “Quando seu espírito não mais estiver  obscurecido
 pela matéria e, pela sua perfeição, se houver aproximado de
 Deus, então o verá e o compreenderá.”
                    Allan Kardec: A inferioridade das faculdades do
 homem não lhe permite compreender a natureza  íntima  de
 Deus. Na infância da Humanidade, o homem o confunde mui-
 tas vezes com a criatura, cujas imperfeições lhe atribui;  mas
 à medida que nele se desenvolve o senso  moral,  seu  pensa-
 mento penetra melhor no âmago das coisas; então ele faz da
 Divindade uma idéia mais justa e mais conforme à sã razão,
 embora sempre incompleta.
                   Se não podemos comprender a natureza íntima de
 Deus, podemos ter idéia de algumas de suas perfeições?
                  “Sim. de algumas. O homem as compreende melhor
 à medida que se eleva acima da matéria; ele as entrevê pelo
 pensamento.”
                  Quando dizemos que Deus é eterno, infinito, imutá-
vel, imaterial, único, onipotente, soberanamente justo  e  bom,
 não temos uma idéia completa de seus atributos?
                  “Do vosso ponto de vista, sim,  porque  acreditais  a-
 branger tudo. Mas ficai sabendo que há  coisas acima da in-
 teligência do homem mais inteligente e para as quais a vossa
 linguagem, limitada às vossas idéias e sensações, não tem co-
 mo se expressar. A razão, com efeito, vos diz que Deus deve po-
 ssuir essas perfeições em grau supremo, porque, se tivesse uma
 só de menos, ou não a tivesse em grau infinito, não  seria su-
 perior a tudo e, por conseguinte, não seria Deus. Para  estar
 acima de todas as coisas, Deus não pode achar-se  sujeito  a
 nenhuma vicissitude, nem sofrer nenhuma das imperfeições
 que a imaginação possa conceber.”
                   Allan Kardec: Deus é eterno. Se tivesse tido um co-
 meço, teria saído do nada, ou, então, teria sido criado por
 um ser anterior. É assim que, pouco a pouco, remontamos ao
 infinito e à eternidade.
                   É imutável. Se estivesse sujeito à mudanças, as leis
 que regem o Universo não teriam nenhuma estabílidade.
                   É imaterial. Isto é, sua natureza difere de tudo o
 que chamamos matéria; de outro modo, ele não seria imutá-
 el, porque estaria sujeito às transformações da matéria.
                   É único. Se houvesse muitos deuses, não haveria u-
 nidades de vistas, nem unidade de poder na ordenação do
 Universo.
                   É onipotente. Porque é único. Se não tivesse o sobe-
 rano poder, algo haveria  mais  poderoso  ou  tão  poderoso
 quanto ele; não teria, assim, feito todas as coisas e  as  que 
 não tivesse feito seriam obra de outro Deus.
                   É soberanamente justo e  bom. A sabedoria  provi-
 dencial das leis divinas se revela  nas  menores  como  nas
 maiores  coisas, e essa sabedoria não permite se duvide nem
 da sua justiça, nem da sua bondade.
               
                            PANTEÍSMO
 
                   Deus  é  um  ser distinto, ou seria, segundo a opi-
 nião de alguns, a resultante de todas as forças e de  todas
 as inteligências?
                   “Se fosse assim, Deus não existiria, porque seria e-
 feito  e não causa. Ele não pode ser, ao mesmo  tempo,  uma
 coisa e outra.
                   ”Deus existe; disso não podeis duvidar e é o essen-
 cial. Crede-me, não vades além. Não vos  percais  num labi-
 rinto de onde não poderíeis sair. Isso não vos tornaria me-
 lhores, mas talvez um pouco mais  orgulhosos, porque  acre-
 ditaríeis saber, quando na realidade nada sabeis. Deixai,
 pois, de lado todos esses sistemas; Tendes muitas coisas que
vos tocam mais diretamente, a começar por vós mesmos.
                    Estudai as vossas próprias imperfeições, a fim de
 vos desembaraçardes delas, o que vos será mais útil do que
 quererdes penetrar o que é impenetrável.”
                    Que pensar da opinião segundo a qual todos os
 corpos da Natureza, todos os seres, todos os globos do  Uni-
verso seriam partes da Divindade e constituiriam, pelo  seu
 conjunto, a própria Divindade, ou seja, que pensar da dou-
 trina Panteísta?
                    “Não podendo fazer-se Deus, o homem  quer ao
 menos ser uma parte de Deus.” 
                    Os que professam esta doutrina  pretendem en-
 contrar nela a demonstração de alguns dos  atributos  de
 Deus. Sendo infinito os mundos, Deus é, por isso mesmo, in-
 finito; não existindo o vazio, ou o nada em parte  alguma,
Deus está por toda parte; estando Deus em toda parte, jáque
tudo é  parte integrante tegrante de Deus, ele dá a todos os
 fenômenos da Natureza uma razão de ser inteligente. Que
 se pode opor a este raciocínio?
                   ” A razão. Refleti maduramente e  não  vos  será
 difícil  reconhecer-lhe o absurdo.”
                    Allan Kardec: esta doutrina faz de Deus um ser
 material que, embora dotado de suprema inteligência, seria
 em escala maior o que somos em menor escala. Ora, transfor-
 mando-se incessantemente a matéria, Deus, nesse caso, não
 teria nenhuma estabílidade e estaria sujeito a todas as vici-
 ssitudes, mesmo a todas as necessidades da Humanidade; fal-
 tar-lhe-ia um dos atributos essenciais da Divindade: a  imu-
 tabílidade . Não se podem conciliar as propriedades da maté-
 ria com a idéia de Deus sem que Ele fique rebaixado em  no-
 sso  pensamento e nenhuma sutileza de sofisma conseguirá
 rresolver o problema de sua natureza íntima. Não sabemos
 tudo o que Ele é, mas sabemos o que ele não pode deixar de
 ser e  o sistema acima eestá em contradição com as suas pro-
 priedades mais essenciais; confunde o  Criador com as cria-
 turas, exatamente como se quiséssemos que uma máquina en-
 genhosa fosse parte integrante do mecânico que a concebeu.
                    A inteligência de Deus se revela em suas obras co-
 mo a de um pintor no seu quadro; mas as obras de Deus não
 são o próprio Deus, como o quadro, não é o pintor que o con-
cebeu e executou.
 
 
                                Matéria extraída de:
 
                             O LIVRO DOS ESPÍRITOS .
                                    ALLAN kARDEC .
 
 
                                        José Roberto Almeida Valente.
 

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