sábado, 19 de fevereiro de 2011

PASSAGEM EVANGÉLICA!


               Belém, 19 de Fevereiro de 2011.
 
 
                  MEU REINO NÃO É DESTE MUNDO.
 
                  Pilatos, tendo entrado de novo no palácio e feito
 vir Jesus à sua presença, perguntou-lhe: És o Rei dos Judeus?
 - Respondeu-lhe Jesus: Meu reino não é deste mundo. Se  o
 meu reino fosse deste mundo, a minha gente houvera comba-
 tido para impedir que eu caísse nas mãos dos judeus; mas, o
 meu reino ainda não é aqui.
                 Disse-lhe então Pilatos: És, pois, rei? – Jesus lhe res-
 pondeu: Tu o dizes; sou rei; não nasci e não vim a este mundo
 senão para dar testemunho da verdade. Aquele que pertence à
 verdade escuta a minha voz. (S. JOÃO, cap. XVIII, vv. 33, 36 e
 37.)
                
                               A vida futura
 
                 Por essas palavras, Jesus claramente se refere à vi-
 da futura, uqe ele apresenta, em todas as circunstâncias, como
 a meta a que a Humanidade irá ter e como devendo constituir
 objeto das maiores preocupações do homem na Terra. Todas
 as suas máximas se reportam a esse grande princípio. Com e-
 feito, sem a vida futura, nenhuma razão de ser teria a maior
 parte dos seus preceitos morais, donde vem que os que não
 crêem na vida futura, imaginando que ele apenas falava na vi-
 da presente, não os compreendem, ou os consideram pueris.
                Esse dogma pode, portanto, ser tido como o eixo do
 ensino do Cristo, pelo que foi colocado num dos primeiros luga-
 res à frente desta obra. É que ele tem de ser o ponto de  mira
 de todos os homens; só ele justifica as anomalias da vida terre-
 na e se mostra de acorod com a justiça de Deus.
                Apenas idéias muito imprecisas tinha os judeus acerca
 da vida futura. Acreditavam nos anjos, considerando-os  seres
 privilegiados da Criação; não sabiam, porém, que  os  homens
 podem um dia tornar-se anjos e partilhar da felicidade  destes.
 Segundo eles, a observância das leis de Deus era recompensada
 com os bens terrenos, com a supremacia da nação a que perten-
 ciam, com vitórias sobre seus inimigos. as calamidades públicas
 e as derrotas eram o castigo da desobediência àquelas leis. Moi-
 sés não pudera dizer mais do que isso a um povo pastor e igno-
 rante, que precisava ser tocado, antes de tudo, pelas coisas des-
 te mundo. mais tarde, Jesus lhe revelou que  há  outro  mundo,
 onde a justiça de Deus segue o seu curso. É esse o mundo que
 ele promete aos que cumprem os mandamentos de Deus e on-
 de os bons acharão sua recompensa. Aí o seu reino; lá é que e-
 le se encontra na sua glória e para onde voltaria quando deixa-
 sse a terra.        
                Jesus, porém, conformando seu ensino com o esta-
 do dos homens da sua época, não julgou conveniente dar-lhes
 luz completa, percebendo que eles ficariam deslumbrados, vis-
 to que não a compreenderiam. Limitou-se a, de  certo  modo,
 apresentar a vida futura apenas como um princípio, como uma
 lei da Natureza a cuja ação ninguém pode fugir. Todo  cristão,
 pois, necessariamente crê na vida futura; mas a idéia que mui-
 tos fazem dela é ainda vaga, imcompleta e, por isso  mesmo,
 falsa em diversos pontos. Para grande número de pessoas, não
 há, a tal respeito, mais do que uma crença, balda de certeza
 absoluta, donde as dúvidas e mesmo a incredulidade.
               O Espiritismo veio completar, nesse ponto, como em
 vários outros, o ensino do Cristo, fazendo-o quando os homens
 já se mostram maduros bastante para apreender  a  verdade.
               Com o Espiritismo, a vida futura deixa de ser simples artigo de
fé, mera hipótese; torna-se uma realidade material, que os fatos demonstram,        porquanto são testemunhas oculares os que a descrevem nas suas fases todas e em todas as suas peripécias, e de tal sorte que, além de  impossibilitarem  qualquer
dúvida a esse propósito, facultam à mais vulgar inteligência a possibílidade de imaginá-la sob seu verdadeiro aspecto, como toda gente imagina um país cuja pormenorizada descrição leia.
                Ora, a descrição da vida futura é tão circunstanciadamente feita, são tão racionais as condições, ditosas ou infortunadas, da existência dos que lá se encontram, quais eles próprios pintam, que cada um, aqui, a seu mau grado, reconhece e declara a si
mesmo que não pode ser de outra forma, porquanto, assim sendo, patente fica a verdadeira justiça de Deus.
 
 
                Matéria Extraída do Evangelho
Segundo o Espiritismo.
                       Por ALLAN KARDEC                                            
 
 
                       José Roberto Almeida Valente  

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